sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quem é?

Ha umas 2 semanas a minha mãe chegou ao pé do K por detrás, tapou-lhe os olhos e perguntou:

Mãe - quem é?
K - sou eu
Mãe - nao, quem é?
K - é o K!!!
Mãe - nao! Quem é que está a tapar os teus olhos?
K - ah, é a tia!

No Natal repetiu:
Mãe - quem é?
K hesitou uns segundos, pensou e respondeu - sou eu e a tia!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Orgulho

O meu primo mais velho, o A., nunca foi rapaz de muitos estudos. Lá fez o secundário a muito custo, ainda andou a passear por um curso de fisioterapia que nunca concluiu e ficou-se por aí.
Como o pai dele tem uma lojinha em Lisboa era lá que ele passava os dias dele, sem ambições de nada mais.
Até ao dia em que entrou uma rapariga chinesa pela loja convencida de que era por ali que se entrava para a pensão de cima e exigiu que ele lhe levasse as malas para cima. Ele mandou-a passear. E o resto é história. Semanas depois ela voltou para Paris, onde estava a estudar e o A. fez as malas e foi para Paris à aventura.
Tudo correu bem, até que a J. acabou o curso que estava a fazer em Paris e teve de regressar à China. Ela é filha única e por questões culturais nao pode abandonar os pais. Então o A. juntou dinheiro, conseguiu ir trabalhar para uma loja da Prada em Paris, e foi visitá-la à China.
Quando lá chegou tinha os pais da rapariga com páginas e páginas escritas com caracteres chineses com perguntas para lhe fazerem. Ele diz que foram horas de "entrevista" em que lhe perguntaram tudo, desde quanto ganhava (claro) até qual era o clube de futebol dele.
No final o pai disse-lhe assim a seco que a J. tinha muitos outros pretendentes e que todos eles ganhavam mais do que ele. E ele deu a resposta óbvia: que nenhum deles a conheceria tão bem e que o dinheiro não é tudo.
O A. voltou para Paris, estudou mais mandarim e agora está a preparar-se para fazer as malas outra vez e ir tentar a sorte dele na China. E se ele arranjar um bom emprego lá (porque casando com a J.  ele tem de a sustentar não só a ela mas também aos pais dela) casa já no próximo ano.
E eu sinto um orgulho enorme, não so por ele estar a conseguir endireitar a vida dele e ter objectivos mas também por ver que ele acredita mesmo no amor.
Ele tem 31 anos e é a primeira vez na minha vida que o acho efectivamente crescido.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ironias

Esta semana consegui ver no mesmo dia na urgência de ortopedia duas senhoras com uma fractura do colo do fémur.
Ambas porque caíram.
Ambas a tomar um medicamento chamado "kainever"...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Da pediatria

Não me faz confusão ver uma criança na urgência. Mesmo aquelas crianças que estão efectivamente "mal", nao posso dizer que me faça confusão.
Faz-me sim confusão ver um miúdo de 5 anos com um ar reguila internado, deitado na cama como se estivesse em casa, extremamente tranquilo, sozinho porque "a mãe foi so lá fora atender uma chamada e já volta". E que se ri e brinca e nos deixa estar com ele à vontade.
Esse miúdo que eu sei que não vai lá estar um dia mas sim vários, e que depois disso vai voltar muitas vezes.
E que ele também sabe, porque antes de eu o conhecer lá naquele quarto de hospital já lá esteve outras tantas vezes.
E ainda assim, quando entramos e falamos com ele está a sorrir, com um sorriso genuíno. Depois de todas as "picas" e "maldades" que outros, tal como nós de bata branca, lhe fizeram.
Isso sim faz-me confusão.
As crianças nao deviam ter doenças crónicas.

sábado, 24 de novembro de 2012

Assim vale a pena

Depois de uma semana de correria, daquelas em que tenho um milhão de coisas para fazer, outro milhão de coisas para estudar, com duas aulas para preparar e dar, e em que claramente cheguei ao final com a sensação de que deixei pelo menos meio milhão de coisas por fazer, recebo este e-mail de uma das "minhas" alunas:

"Deixa-me só que te diga, és a pessoa mais fixe que existe!!!!  A melhor monitora-em-vias-de-ser-professora do mundo!!! :D :D :D"

Não sei se algum dia serei professora realmente. Mas de qualquer das formas, assim vale a pena.
Pelo menos uma das coisas que tinha para fazer do meio milhão ficou aparentemente bem feita.

E agora vou voltar ao estudo, que este semestre é no mínimo demoníaco.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O lado positivo da greve

É mesmo o ter podido ficar o dia todo em casa a pôr o estudo em dia (ou a tentar) e poder fazer o meu lanche de inverno: uma chávena de leite gigante com o leite a ferver (sim, IL, eu sei... O meu esófago não vai ter um final feliz...).

domingo, 11 de novembro de 2012

UCIN

Hoje passei grande parte do meu dia numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal.
Vi um recém-nascido morrer à minha frente, vi tentarem reanimá-lo durante 20 minutos sem qualquer êxito (porque sim, por mais que queiramos a medicina não faz milagres); vi um outro, o recém-nascido mais pequeno que alguma vez vi, menos de 800 gr de pessoa, e que, sinceramente, não acredito que ainda lá esteja agora que estou a escrever este post.

Vim para medicina para salvar pessoas, de certa forma por acreditar que talvez um dia consiga de vez em quando fazer uma espécie de milagre, e fazer a diferença.
Hoje foi daqueles dias que simplesmente serviu para me mostrar que por mais que faça, por mais que estude, por mais protocolos que siga, simplesmente há coisas muito para além dos nossos "pequenos milagres". E tenho a dizer-vos que isso me corrói por dentro.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Quando eu for grande

Sempre que sei que vou ter aula prática e que vou ter de andar por um serviço lá do hospital a primeira coisa em que penso é nos meus ténis ou nas minhas botas "todo o terreno".
Não consigo pensar sequer em ir de saltos altos, como algumas colegas minhas que de repente de um dia para o outro parece que cresceram uns 10 cm.
E menos ainda ir de vestido ou de saia. Começo logo a pensar que no dia em que isso acontecer alguém me vai vomitar directamente para as pernas... (Eu sei que estando de calças não é estupidamente melhor, mas sinto-me muito mais protegida). E fica tão gira a bata por cima de um vestido...
Pode ser que estas manias me passem "quando for grande". Felizmente a história dos saltos não é problemática. Os meus 1,74m de altura dão-me uma vantagem considerável em relação à maioria das outras colegas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"Bridge over troubled water"

Ninguém é perfeito.
Até podes achar que sim, que alguém é perfeito, um herói, mas a verdade é que não é. Ninguém é. Nada é.
Podes idealizar tudo o que queiras que nada te garante que corra como pensaste. Mesmo quando és naturalmente pessimista (realista?) e já não tens grande fé na humanidade em geral, corres sérios riscos de ser surpreendida pela negativa.
E sim, eu sei que às vezes parece que tudo acontece ao mesmo tempo, tudo cai, tudo se desmorona, tudo apodrece. E também conheço a sensação de ter de ser o pilar que aguenta em cima tudo o que a uma velocidade alucinante se desfaz, como areia a cair-te por entre os dedos. Porque tens de ser forte, porque, afinal, és quase médica e se lidas com a morte todos os dias (que raio de ideia que as pessoas têm...) então consegues aguentar com qualquer camião de carga emocional.
E a verdade é esta: sim, tens de ser o pilar. E sim, é horrível, mas vais ter de te aguentar. Mas também é verdade que podes gritar. E chorar.
Também é verdade que não tens de gritar e chorar sozinha. Queres ser a "bridge over troubled water" e podes ser (não é uma opção, eu sei). Mas sabe que podes contar comigo para ir reforçando os pregos e os parafusos e ir reconstruindo os bocados de ponte que a água te vai arrancando.

domingo, 28 de outubro de 2012

Mas o que é que se passou aqui?

De repente, ao abrir o Facebook, apercebi-me de que nos últimos 2 meses 3 antigos colegas meus de escola foram pais.
Um deles foi pai pela 2ª vez e até é mais novo do que eu.

Por aqui estuda-se pediatria. É o mais próximo que tenciono estar de ter bebés nos próximos anos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Impressionante

Como é que é possível que tenhamos entrado 400 pessoas para a minha faculdade no meu ano e nos dias em que faltam 2 ou 3 parece que a faculdade está vazia e que estou lá sozinha...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Actualização

Tenho andado meia desaparecida daqui, é verdade. Mas como eu sou sempre assim vocês já se habituaram.
Tenho andado muito ocupada.
Fui efectivamente ao Porto naquele fim-de-semana que vos tinha dito. O "congresso" foi espectacular e garanto que no próximo ano se estiver por terras lusas nessa altura irei outra vez. Todos os oradores estiveram empenhados em que percebêssemos as informações que nos tentavam passar, as apresentações eram muito apelativas e os workshops foram também excelentes. Só o de pequena cirurgia é que deixou um bocadinho a desejar porque estava à espera de aprender vários tipos de pontos e nós e acabei por só praticar aquilo que já sabia.
Mas adorei, fartei-me de passear, fui a Matosinhos, às francesinhas, a Serralves... resumindo, ultrapassou as minhas expectativas.

Entretanto já comecei as aulas. Na primeira semana tive só uma cadeira optativa. Escolhi genética clínica porque não tivemos muito contacto com a clínica nesta área durante o curso. E por isso conheci o D., com 12 anos e 1,83m de altura (Síndrome de Marfan, para quem queira saber), a L., com 2 dias e Trissomia 21, o J., com 3 dias e uma atrésia ano-rectal, o Sr. M, de 45 anos, que teve um irmão que morreu com problemas do coração no ano passado e que veio fazer testes para ver se tinha o mesmo problema, e mais umas quantas pessoas que me fizeram levantar todos os dias às 6 da manhã quando podia bem ter ficado mais uma semaninha de férias.
Agora já comecei as aulas "normais". É o nosso último ano de aulas. É raro o dia em que não penso nisso. Somos os mais "avançados" lá do sítio. Ainda me lembro de quando entrei para a faculdade e olhava para o pessoal do 5º ano e pensava que já deviam ser uns deuses da medicina e saber tudinho. Agora não me sinto uma deusa da medicina. Nem perto de isso. Continuo a sentir-me uma miúda. Sei que sei muitas coisas mas acima de tudo sei que há muitas coisas que não sei. E olho para os meus amigos e embora esteja cheia de orgulho deles também, não posso acreditar que já se passaram 5 anos e que no próximo começam os estágios a tempo inteiro e irá inevitavelmente cada um para o seu hospital. Este é o último ano de aulas. E ainda assim continuo a enganar-me nos nomes dos anfiteatros. Passou tudo tão depressa...
Comecei pelas cadeiras cirúrgicas e Pediatria este semestre. Não sou grande fã de Cirurgia, como alguns de vocês sabem, mas a Pediatria até que me enche as medidas. Gosto de Medicina Interna e a Pediatria não é mais do que a Medicina Interna das crianças, portanto está tudo bem. Tinha algumas esperanças de que este ano a cirurgia me conquistasse um bocadinho mais mas hoje tive a primeira aula de Cirurgia 2 e já percebi que dificilmente isso vai acontecer.
Prometo tentar arranjar um tempinho de vez em quando para aqui vir dar notícias.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E para terminar as férias

Parece que vou fazer um fim-de-semana prolongado ao Porto.
Com uma espécie de um congresso pelo meio, claro está.
Vou fazer um workshop de pequena cirurgia e um para aprender a fazer partos "normais" (com simulador e tudinho a que tenho direito!)
As expectativas são grandes, vou a várias palestras que me parecem bastante interessantes e durante o dia vou ter muito tempo para passear e finalmente conhecer o Porto como deve de ser.
E agora adeus, até domingo.
Tenho um comboio para apanhar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Das histórias do estágio - parte 2

Durante este estágio segui um doente que estava no isolamento. Uma suspeita de tuberculose.
Portanto sempre que ia ter com ele ao quarto vestia lá o fato especial, máscara, luvas, fechava as duas portas que o separavam do mundo exterior e lá ficávamos os dois. Ele, com os seus 82 anos, chateado como tudo por estar sozinho o dia todo e eu a examiná-lo, a tentar ser simpática e ao mesmo tempo rápida, que não gosto de me passear no meio da micobactérias.
Ao fim de cerca de uma semana demos alta ao senhor. As análises vieram todas negativas, nada de tuberculose e portanto era só fazer um examezinho rápido e podia ir para casa. Lá fui eu ao isolamento pela milésima vez, desta vez já sem fatiotas especiais e máscaras e afins. Só eu e a minha batinha.
Cheguei, cumprimentei o senhor, perguntei-lhe como estava e disse-lhe que as análises tinham vindo negativas e que, portanto, era só fazer um exame rápido para ver se estava tudo bem e podia ir para casa.
Sr M - Vou para casa?
Jo - Sim Sr M, vai para casa ter com a sua família.
Sr. M - Então já não a vejo mais?
Jo - Não Sr M, já não me deve ver mais. Eu à tarde vou para casa.
Sr. M - Hum... Posso apalpar-lhe as maminhas?
Jo - Desculpe?
Sr. M - Estou-lhe a perguntar se lhe posso apalpar as maminhas!
Jo - Não Sr. M, não pode, claro! Então isso são coisas que se perguntem assim às pessoas?
Sr. M - Pronto, está bem... Tem razão... Então vou para casa não é?
Jo - Sim Sr M. Está tudo bem consigo e vai para casa.

Isto de ter mais de 80 anos já não é o que era...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Das histórias do estágio

Jo: Sr. V, disse-me há um bocadinho que nunca tinha tido filhos. Isso foi uma opção ou simplesmente não aconteceu?
Sr. V: Ora aí está uma pergunta engraçada... Ora bem, eu nunca quis filhos, mas a minha mulher queria... Tentámos mas ela não engravidava. Depois fizemos uns testes e disseram que eu era infértil. Mas é mentira... A verdade é que eu andava aí a desperdiçá-los nas outras. Sabe como é... lá na minha empresa havia muitas mulheres...

domingo, 26 de agosto de 2012

De volta

Já voltei há uns tempos, confesso, mas tenho tido uma preguiça para aqui vir escrever...
As férias foram espectaculares e com a companhia do Namorado até poderiam ter sido mais compridas (e eu que estou sempre a refilar que 3 semanas no Algarve é muito tempo...)
Apanhei sol, fui à praia, à piscina, visitei zonas diferentes do Algarve, fui ao ZooMarine, ao Slide and Splash, li este, este e estou a acabar este. Não compensa o facto de ter passado um ano em que não consegui ler praticamente nada que não fosse de alguma forma relacionado com medicina, mas ajuda.
Vi um concerto do Rui Veloso e um do Pedro Abrunhosa e
E amanhã, como não poderia deixar de ser, começo o meu estágio hospitalar de férias. Desta vez vou fazê-lo em casa, num serviço que conheço já como a palma da minha mão. Mas vai permitir-me solidificar alguns dos conhecimentos que (espero eu) ganhei este ano e ter as tardes livres sempre que me apeteça para fazer as coisas típicas de férias.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Férias é isto

É receber a última nota que faltava e perceber que já não tenho pretexto para ter a secretária desarrumada.
É ter jantares e almoços e lanches e tentar conciliar mil e uma agendas.
É ter tempo para que me façam surpresas e para fazer surpresas.
É sentir que, apesar de durante a maioria do ano andar sempre a correr de um lado para o outro ainda não me esqueci de como é que se faz para se ser boa namorada (assim numa de variar, já que na época de exames tenho a certeza de que me candidato a namorada mais ranhosa do universo).
É ir às compras e experimentar roupas com gosto porque afinal o ano lectivo não estragou tanto o corpo como se poderia pensar e agora tenho tempo para experimentar o tamanho acima, o tamanho abaixo, o outro modelo e se me apetecer ainda ir dar uma volta por outras lojas. E já comprei um biquíni, 2 tops, um vestido, um saco novo de praia, uns chinelos... Estou decidida a recuperar o tempo que "perdi" durante o ano lectivo e a aproveitar qualquer saldo de jeito que ainda por aí exista.
É passear pelo centro da minha vila do coração (sim, é uma vila) e entrar nas lojas e comer um gelado.
É até conseguir ter tempo para aprender a conduzir o Smart (sim Morce, tens razão, não é muito diferente de um carrinho de choque).
É estar na piscina sem mais nada que fazer a ler um romance do Nicholas Sparks porque sinceramente não me apetece pensar em nada mais complexo do que isso.
É ver filmes e séries como se não houvesse amanhã.
É matar saudades da família, que está já aqui ao lado, mas que na época de exames e muitas vezes até durante as aulas é como se estivesse noutro continente, porque o tempo não chega para todos.
É ouvir os miúdos do jardim do lado a gritar e pensar "Que fofinhos" em vez de "Raio dos miúdos, os pais não lhes chamam à atenção? Há quem queira estudar!"
É preparar as malas para ir para o Algarve 3 semanas. Mas desta vez, ao contrário do habitual, estou radiante, porque ao contrário do que sempre pensei, este ano vou passar uma dessas três semanas extremamente bem acompanhada (parece que com o tempo os pais também crescem). E é sonhar com isso todos os dias e acordar todos os dias com um sorriso na cara por causa disso.
Acima de tudo é ser feliz em pleno. Agora sim, FÉRIAS.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

E-mail


"Descobre a nova colecção Outono Inverno 2012"

É que só podem estar a gozar comigo a mandar-me um e-mail com este título quando eu ainda não pus um pé na praia este ano.

(O meu álbum de fotografias pirosas do Verão 2012 vai já começar a ser elaborado amanhã. Finalmente já sinto as férias ao virar da esquina)

sábado, 14 de julho de 2012

Metade já foi

Já só me falta 1 semana de exames. E depois, férias.
Esta primeira metade não correu bem como eu queria, mas ficou feito e isso é que importa. E 14 também não é uma nota da qual me envergonhe. Tanto não me envergonho que não estou a pensar pôr lá os pés na 2ª fase e assim sendo daqui a 6 dias estou de FÉRIAS!
E já não vejo a hora.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Oral, Parte 1

Sabem aquele sonho de andarem nus na vossa escola? Eu nunca tinha tido esse sonho. Hoje sonhei que andava nua na faculdade.
Hoje tenho um estranha consciência da minha respiração. Faço um esforço gigantesco para respirar. Como se tivesse o nariz entupido, mas não tenho...
Tenho as palmas das mãos suadas.
E acho que isto resume muito bem o meu estado de espírito.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Procrastinando...

Hoje ouvi esta música. E por quase 5 minutos senti-me outra vez com uns 12 anos a dançar o meu primeiro slow na cave da casa de uma colega qualquer, depois de ter jogado ao "verdade ou consequência" e de me encher de croquetes, batatas fritas e trina de laranja. Naquela altura em que um slow se seguia à "Bomba" ou à "Mila".
Depois apercebi-me de como a minha cabeça é tão extremamente competente a fazer-me pensar noutras coisas que não a minha oral de pneumologia de 5ª feira.

sábado, 7 de julho de 2012

Das coisas que me dizem para me acalmar no fim-de-semana antes de fazer oral

"O prof basicamente pergunta sintomatologia (tosse etc) e Exame Objectivo. E se a História Clínica estiver má ele berra, arranca a folha e etc. Mas não vai acontecer com nenhum de nós x)"


Estão a imaginar um homem, vosso professor, a roçar os 80 anos, com figura imponente, aos berros e a destruir o vosso trabalho à vossa frente? Eu estou... e começo a ficar um bocadinho assustada...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Inspira... Expira... Inspira... Expira... Já só faltam 15 dias...

Hoje fui ao ginásio.
Não tenho ido lá tantas vezes como é habitual mas por acaso esta semana até já lá tinha ido, na 2ª feira.
Fiz a aula do costume e quando saí veio uma senhora que trabalha num centro de saúde onde já tive um estágio falar comigo.
Srª do CS: Ah, Joana... já não a via há tanto tempo!!!
Jo: Pois, agora não tenho vindo tantas vezes, é época de exames...
Srª do CS: Então e como é que estão a correr?
Jo: Até agora bem, vamos lá ver os próximos.
Srª do CS: Pois, tem de estudar! É pena é não conseguir vir tanto ao ginásio...
Jo: Pois, eu também sinto a falta! Uma pessoa habitua-se... Mas por acaso esta semana até já tinha vindo!
Srª do CS: Ah pois! Eu não a tenho visto porque estive de férias agora 3 semanas! É por isso que estou assim bronzeada! (disse ela quase a esfregar-me o braço na cara)

Os meus olhos lançaram chamas. Pequeninas, mas lançaram.

terça-feira, 3 de julho de 2012

1/4

E este já está. Quando saí não estava particularmente animada, achei que tinha corrido bem mas que podia ter corrido muito melhor... mas afinal correu bem, bastante bem.
E ainda me faltam 3, mas já começo a cheirar as férias lá ao longe.

sábado, 30 de junho de 2012

Percebes que estás a ficar em PÂNICO com o exame de 2ª feira quando estás com os apontamentos na mão, queres ir tomar banho e pensas "dava-me tanto jeito que estes apontamentos estivessem plastificados..."

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Cérebro contente

O resto está em depressão

Do jogo de hoje

O meu primeiro exame é na 2ª feira.
"E o que é que isso tem a ver com o jogo de hoje?" - Perguntam vocês.
Eu respondo.
Se ganharmos vamos à final. Que é no domingo. Ou seja, o mais provável é que na véspera do meu exame eu vá passar pelo menos uma hora e meia à frente da televisão. Ou a tentar estudar com um monte de pessoas lá em baixo aos gritos em frente à televisão.
Não me interpretem mal, quero que Portugal ganhe, quero mesmo. Vou ver o jogo não tarda e torcer por nós como gente grande, de bandeira em punho.
Mas se por acaso hoje perdermos, o meu cérebro vai fazer uma festa de deitar a casa abaixo.
Portanto, seja o que for, aqui festeja-se.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

É inevitável

Sempre que pego na matéria da aula de piolhos, sarna e fungos começo logo a coçar-me!

Plano de estudo feito. É oficial, os exames estão à porta!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pneumologia

Com apenas 25% de probabilidade foi o Serviço de Pneumologia o feliz contemplado a ter o privilégio de me ter lá a fazer oral. Os outros bem que também deviam querer, mas tiveram azar..:p.

Não sei se estou contente com o resultado ou não. No início do ano esta teria sem dúvida sido a minha primeira escolha, mas à medida que o ano foi avançando fui ficando com dúvidas e agora só vos posso dizer que estou contente por ter calhado no dia em que queria e por ter a companhia da IL nas longas horas que vão ser para escrever a história clínica do doente à mão.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sorteio

É amanhã. Amanhã vou ficar a saber (finalmente) onde é que vai ser a minha oral mais temida deste semestre (deste ano?): em Medicina Interna, em Pneumologia ou em Cardiologia...
Passei o semestre todo a achar que quando este dia chegasse ia ter a certeza absoluta de qual queria que me calhasse e que ia acabar por calhar noutra qualquer. Por isso, talvez como mecanismo de defesa, neste momento não vos sei dizer em qual prefiro calhar.
Verdade verdadinha, apetecia-me era nem ter oral e voltar ao princípio do semestre para ter tempo de estudar as coisas como deve de ser. Mas, também verdade, é que a oral está aí a chegar, e em todas as hipóteses vejo vantagens e desvantagens.
Portanto agora é contar os segundos até ao sorteio e amanhã logo vos digo o que me espera.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Linguagem de médico

Acabei agora mesmo de fazer a História Clínica que vou levar na 6ª feira para a primeira avaliação do semestre.
No final passei o corrector ortográfico e havia mais de 50 palavras assinaladas como erradas. Mas todas elas estavam correctas.
E foi então que me apercebi de que efectivamente falamos um dialecto.

domingo, 10 de junho de 2012

Ao pessoal "amigo do facebook" que não pára de criar álbuns de fotografias intitulados "summer 2012", "verão 2012", "veraooooooooo" etc etc etc...

Get a life. Ainda estamos no princípio do Junho.
E eu tenho exames até ao fim de Julho.
Por isso escusam de me vir esfregar na cara as vossas barrigas bronzeadas.
Estão todos mais gordos/as do que no ano passado.

uffaaa

A minha avó C. é uma pessoa bastante perigosa em termos de convívio social. Diz o que lhe vem à cabeça. Se acha que uma pessoa é feia diz-lhe. E não é mulher para suavizar as coisas, nada disso! Se a pessoa é feia ela diz-lhe logo com o seu sotaque espanhol: "Eeeeehhhh pá, que feio que tu és!".
O mesmo se aplica a pessoas gordas, magras, de cabelo liso, comprido, curto, carecas, com mãos grandes... enfim, durante vários anos eu assisti a vários episódios nos quais pensei que se eu fosse a pessoa em questão queria um buraco gigante onde me enfiar (ou onde enfiar a minha avó).
Por este motivo prometi a mim mesma que não iria casar até a minha avó morrer. Não desejo mal nenhum à senhora, muito pelo contrário, mas vi o que a minha prima passou quando lá levou o actual marido das primeiras vezes e, tenho a dizer-vos, que desde comentários sobre as mãos que parecem presuntos (nunca reparei) até comentários de carácter sexual (ou assexual), a minha avó fez de tudo. E eu não tinha muita vontade de passar por isso nem de fazer com que alguém se sujeitasse a isso.
Acontece que hoje ela fez 81 anos. 81 anos praticamente sem tomar um medicamento, fresca que nem uma alface e a comentar que os vizinhos estão todos velhos mas que ela está óptima (a vista é que já vai faltando...). 81 anos em que todos os dias anda de saltos altos. E dado que nos últimos anos ela tem andado mais calma (no Natal só disse ao meu irmão que ficava horrível de barba. Só isso. Nada de muito extraordinário. Nada de "pareces um anormal/um bicho/um urso", só "horrível"), achei que devia tentar a minha sorte.
Já há uns tempos que a minha avó me tinha dito que levasse lá o Namorado, que o queria conhecer e eu sempre a fugir ao assunto... "hoje ele não podia... foi muito em cima da hora... não calhou..." mas hoje achei que tinha de ser e que estava a adiar o inevitável.
E não é que quando me estava a vir embora ela me disse ao ouvido:
"Gostei muito que tivesses trazido cá o Namorado. É muito bom rapaz. Olha que homens destes já não se arranjam por aí assim! Vê lá se tratas bem dele hein?"
E pronto, eu disse-lhe que sim.
O segredo para isto ter corrido tão bem? Simples: tal como o meu avô ele disse "homem que é homem não se depila". Pronto, a minha avó ficou derretida. Homem perfeito!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Do estudo

Estou no meu quarto com um artigo de 70 páginas à minha frente. As páginas não se viram sozinhas e eu também não as ajudo.
Estou há uns bons 10 minutos só a ouvir os miúdos da casa ao lado no jardim a jogar futebol. Tenho mesmo saudades do tempo em que chegava a casa depois da escola, lanchava, fazia uma cópia, o abecedário com maiúsculas e minúsculas, eventualmente algumas tabuadas e ia eu para o jardim jogar futebol com o meu irmão e com os meus vizinhos do lado. Fazíamos da entrada da casa um autêntico campo de futebol. O portão era uma baliza e as portadas da casa a outra. Havia correrias, joelhos esfolados, vidros partidos... E quando a bola saia para a rua e tínhamos de a ir buscar à estrada? Ia sempre o R. Era o rapaz mais velho e o que se deveria orientar melhor com os carros para não ser atropelado. Nunca foi. E de cada vez que voltava com a bola na mão quase fazíamos uma festa. Agora que penso nisso aquilo não era assim tão perigoso quanto isso. Vivíamos numa zona residencial, ali praticamente só passavam os moradores e regra geral não se andava a grandes velocidades.
Tenho saudades desse tempo em que as minhas maiores preocupações eram saber se o R. voltava do outro lado da estrada são e salvo e se conseguíamos que o meu pai não reparasse no vidro partido do candeeiro (demorou anos a notar).

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Menos de um mês

É o tempo que falta para começar os exames... outra vez... orais, orais, orais, exames escritos...
Só de pensar nisso até tremo...

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Da manifestação:






Hoje foi assim.
Sem grandes alaridos, sem grandes confusões, tentámos mostrar a nossa opinião sobre um assunto que é muito delicado para a opinião pública em geral.
E eu fiquei satisfeita com o resultado. Pelo menos a mensagem que passou foi a correcta:

http://www.publico.pt/Sociedade/mil-estudantes-de-medicina-protestam-contra-falta-de-vagas-para-internato--1548422

sábado, 26 de maio de 2012

Aos meus seguidores NÃO médicos/NÃO estudantes de medicina:

O curso de medicina é um curso de 6 anos. No final desses 6 anos temos aquilo a que se chama "ano comum" que é um ano só de estágio remunerado em que temos contacto e trabalhamos em várias especialidades de forma a adquirimos mais prática e competências clínicas. No final do Ano Comum cada um escolhe uma especialidade. São-nos comunicadas quantas vagas vão abrir em cada especialidade e em que hospitais e, depois de termos sido seriados com base na nota do exame de acesso à especialidade, cada um escolhe a especialidade que quer. O internato da especialidade dura entre 4 e 6 anos.
Ou seja, quando acabamos o curso (os 6 primeiros anos) não somos médicos mas sim "pré-médicos".
Para sermos Médicos, em Portugal, temos de fazer um internato (=especialidade).

Ao longo dos últimos anos tem-se assistido a um aumento do número de alunos que entram em Medicina em Portugal (as faculdades têm aberto sempre mais vagas). Contudo neste momento o país não tem capacidade para formar tantos especialistas como o número de alunos que entram.
Resultado: muito em breve vamos ter pessoas a acabar o curso que não vão ter vaga para entrarem na especialidade e, portanto, não irão ser Médicos.

Gostava que me dessem a vossa opinião sobre este assunto porque é sempre bom ter uma opinião vinda "de fora".


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Só assim numa de fazer inveja...

Os meus próximos dois Sábados vão ser passados no Rock in Rio.
Achei que iam gostar de saber.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Respostas ao desafio


Meus queridos, venho aqui informar-vos de que, com excepção da ' que me mandou as respostas dela por SMS mais ninguém acertou... 

1 - Tenho medo de gatos. - Falso!!! Não ADORO gatos. Não ADORO animais em geral. Mas os gatos até estão lá no topo da lista das preferências. Medo a sério tenho de cães. Daqueles medos que me fazem trepar pela pessoa mais próxima acima se com isso puder evitar algum tipo de contacto. Estou muito melhor desta fobia. Ainda hoje um cãozinho me veio cheirar os ténis e eu fiquei muito quietinha e em silêncio até ele se ir embora.
2 - Sou incapaz de estar na praia sem ir ao mar. - Verdade! Adoro o mar. Não sou a maior louca que existe à face da terra pelo Verão, em pouco tempo farto-me de estar na praia, mas não perdoo uma ida ao mar sempre que lá estou. Nem que esteja gelada.
3 - Já comecei uma relação graças ao Facebook. - Verdade! Comecei a falar com o meu namorado graças ao Facebook. Já o conhecia de vista há muitos anos. Na realidade, já o conhecia de vista há 19 anos. Mas julgo que a primeira vez que falámos foi mesmo através desta rede social. E foi por aí que combinámos o primeiro encontro e portanto, avé Facebook.
4 - No 9º ano estava indecisa entre ciências, economia ou ir para o conservatório. - Falso!!! No 9º ano a dúvida estava entre ciências (para ser médica), letras (para ser professora de inglês) ou conservatório (para ser cantora). A fase das cantorias passou cedo. Achei que me contentava com uma ou duas idas ao Karaoke por ano nas férias de Verão e a cantar diariamente no chuveiro (e mais tarde no carro. A dúvida entre ciências e letras acompanhou-me durante todo o secundário. Achei que devia ir para ciências porque para ser professora de inglês só precisava do exame de Português (que faria em qualquer área) e de Inglês (que conseguia fazer sem grande esforço) e assim podia adiar a escolha. Só ficou posta de parte a ideia de ser Professora de Inglês já no 12º ano e mesmo assim ainda hoje acho que, se tivesse feito essa escolha, não seria infeliz.
5 - Durmo uma média de 7 horas por noite durante a semana. - Falso. Era bom, era bastante agradável, mas arrisco dizer que em grande parte das noites não chega às 6 horas.
6 - Tenho dezenas de poemas que escrevi quando era adolescente que só foram lidos por 5 pessoas. - Verdade. Toda a gente tem as suas crises de adolescência, os seus corações partidos. Eu tive a minha crise no 12º ano e na altura pareceu-me bem pôr as coisas em papel. Os poemas foram lidos pela Incógnita, pela Lexy, pela minha avó, pela IR e por uma outra amiga minha que entretanto foi viver para os EUA.
7 - Quando gosto das pessoas faço questão de lhes dizer. - É verdade. Quando gosto das pessoas digo-lhes. Se estiver com elas todos os dias provavelmente até lhes relembro disso todos os dias. Àquelas pessoas com quem não estou todos os dias digo quando calha estarmos juntas ou posso até mandar uma mensagem do nada a dizer isso.

E pronto, foi isso. Espero que tenham gostado do desafio e obrigada aos que enviaram respostas, não falharam por muito;)

domingo, 13 de maio de 2012

Sobre o desafio

Estou a gostar das respostas... Os factos serão divulgados na 3ª feira à noite.

Desafio


Pois que já que a ' nos deixou à vontade, roubei-lhe o desafio: 

Regras:
1. Dizer 7 factos sobre ti (dos quais 3 são mentira);
2. Desafiar os seguidores a descobrir quais os 3 que são falsos;
3. Fazer um post a denunciar as tuas mentirinhas uns dias depois;
4. Passar o desafio a 5 seguidores que consideres merecedores, e a quem queiras agradecer o carinho que têm tido contigo;

Passando então aos factos: 
1 - Tenho medo de gatos.
2 - Sou incapaz de estar na praia sem ir ao mar.
3 - Já comecei uma relação graças ao facebook.
4 - No 9º ano estava indecisa entre ciências, economia ou ir para o conservatório.
5 - Durmo uma média de 7 horas por noite durante a semana.
6 - 
Tenho dezenas de poemas que escrevi quando era adolescente que só foram lidos por 5 pessoas.
7 - Quando gosto das pessoas faço questão de lhes dizer.

Quanto à parte de passar o desafio, queridos seguidores, levem-nos à vontade;)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Esclarecida

Black patients are those of African or Caribbean descent and not mixed-race, Asian or Chinese patients.
Kumar

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Planos de Verão 2012 - Parte I

Às 23:50 tocou o meu despertador para me avisar de que estava quase na hora de iniciarem as inscrições nos estágios de verão.
Não sei se é vício, se amor pelo que faço (ou quero um dia vir a fazer) ou simplesmente estupidez.
Facto é que, novamente, 2 semanas das minhas férias de Verão serão, se tudo correr bem, passadas em estágio voluntário num hospital. E mal posso esperar por saber os resultados das colocações.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dos últimos dias

Os últimos dias têm sido desgastantes. Sempre a correr de um lado para o outro, com a sensação de estar permanentemente numa oral porque a cada minuto alguém me pergunta qual é o prognóstico, porque está a fazer o medicamento X ou Y, porque esteve entubado, porque é que já não está, o que é um coma profundo, o que é que isso significa, se vai voltar a acordar, porque é que não se faz um transplante, qual o resultado da TAC... como se eu soubesse... e eu não sei... não sei porque não conheço a pessoa em questão. Não sei porque, pela primeira vez na minha vida entrei numa Unidade de Cuidados Intensivos sem fazer a mínima ideia do que estava à espera de encontrar, ou de quem. Não sei porque há coisas que eu ainda não tenho de saber. E eu estudo, e procuro nos livros e falo com colegas e tento fazer o melhor que sei, mas o melhor que sei não é o suficiente porque mesmo que soubesse tudo não está nas minhas mãos. E eu sei disso mas devo ter um qualquer "complexo de salvadora", uma incapacidade de ficar quietinha no meu lugar a ver as coisas acontecerem lá fora.
E depois no final de tudo isto, mesmo para acabar em grande vem a pergunta que me fazem todos os dias uma média de 10 vezes: "Então e já escolheu a especialização?". E eu respiro fundo. Bem fundo. E digo com um sorriso que não.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Imagem


E se ficaram curiosos com o que raio foi esta cena a que assisti podem ler aqui porque a I. fez o favor de a relatar por mim.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Do banco

Cheguei agora a casa.
Hoje estive uma hora na sala de reanimação com uma senhora em paragem respiratória.
Chamaram a minha médica e eu, como me compete, fui a correr atrás (tenho vindo a ficar espectacular nesta tarefa!).
Quando entrei vi uma senhora deitada ligada ao monitor com fios e mais fios e ECG e braçadeira e monitores e acessos e tudinho a que tinha direito. Pessoas! Muitas pessoas de um lado para o outro naquela sala. Todas a mexerem-se depressa mas com ar de quem sabia o que estava a fazer. Estavam a tentar entubar mas a senhora tinha umas cordas vocais algo estranhas e parece que não se via nada lá para dentro.
Pediram-me para ficar com o cuff. Aquele balãozinho que se vai apertando para "obrigar" a pessoa a respirar. Sim, objectivamente não é nada de extraordinário. Entre apertar aquilo ou uma bola anti-stress não há grande diferença. Mas deixem-me lá ficar contente com o que eu fiz.
Continuando, foi quase uma hora ali dentro. E pica-se a senhora. E ai que se sente o pulso mas o sangue não sobe. E ai ai ai ai ai que o coração vai parar. E ufffaaaaa não parou... E dá mais 2 mg de Midazolan... E agora mais dois... E ai que vai vomitar!!! Aspira aspira aspira!!! E quais são os antecedentes? Alguém sabe quanto era a glicémia? E a PCR? E alguém que vá ver com urgência os resultados da gasimetria! E a máquina que dá erro! E repete-se a gasimetria! Mais 2 de Midazolan!! Quanto é que já demos??? Mais 2!!! E entuba! E não está no sítio certo! E tenta outra vez! E continua fora do sitio! Dá mais 2 de Mida! Tente outra pessoa! Continua a não dar!!!
E no final deu. E a senhora safou-se (pelo menos desta). E eu, que achei que ia estar a tremer por todos os lados não tremia. Tudo isto pareceu ser uma calma incrível. Era eu, o cuff, as seringas de gasimetria e a doente. E a única coisa que me choca no meio disto tudo é... Não faço a mínima ideia do nome da senhora, não me lembro de quantos anos tem e se passasse por ela na rua amanhã não a ia reconhecer...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

2 de Abril

Algures na semana passada lembrei-me de que estava a chegar o dia das mentiras e interroguei-me de se não me iria passar uma coisinha má pela cabeça nesse dia, uma vontade súbita de ir desenterrar recordações que já estão bem guardadas na sua gaveta especial do passado.
Nos últimos anos este não tem sido o meu dia favorito. Tem sido um dia nostálgico, dia de fazer asneiras, dia de se pensar no que não se deve.
Pois que agora já é dia 2. E só agora é que me apercebi de que ontem foi dia 1. E quando me apercebi disso encolhi os ombros e sorri. E pensei que se não fosse já tão tarde até ligava à IL e ela ficava orgulhosa de mim também. Pazes feitas com o dia das mentiras e acima de tudo um orgulho gigante de mim mesma e aquela sensação de alívio de sentir que tudo está bem resolvido.
E hoje, dia 2, é dia de festa!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Adeus Ano Comum?

Passo o dia quase todo de bata. Estou oficialmente a estagiar em 3 hospitais diferentes, mas na prática estarei em 4. Olham para mim como se fosse doutora, chamam-me doutora e esperam que saiba as coisas como uma doutora.
Quando estou com a bata vestida ando mais direita. Apercebi-me disso hoje. Puxo os ombros para trás, encho o peito com ar e acho que mal respiro. E há momentos em que tenho a certeza de que estou com uma cara de pânico.
Dizem que nos habituamos. Que aquilo para que hoje olhamos como sendo uma grande responsabilidade mais cedo ou mais tarde passa a ser olhado como simples rotina. Mas até agora parece-me que esse momento está a milhões de anos de distância e espero sinceramente que quem de direito *cough* Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos *cough* perceba que não há necessidade de pôr a carroça à frente dos bois.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Férias?

As aulas já começaram e eu ainda não saí do modo férias...
Estas férias fui a Sintra e a Aveiro. No Sábado fui a Óbidos, ao Festival do Chocolate (e não quero ver mais chocolate à minha frente nas próximas semanas). E para o próximo fim-de-semana também já há planos!
Com este tempo de Verão não há condições para estudar! Uma pessoa bem que tenta, mas é impossível!

Parabéns!

Ao blog Roupa Prática e à sua Essência!
Parabéns pelos 3 aninhos!!!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Car wash

Como os homens imaginam uma mulher a lavar um carro:
Como eu realmente lavo um carro:
Calças de ganga das velhinhas, uma camisola com carapuço que uso desde os 13 anos, umas botas que mais parecem de tropa e cabelo apanhado de uma maneira peculiar.

Mais ou menos parecido...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não é defeito... é feitio...

Não esperem que fique toda lamechas porque têm uma ferida no joelho. Ou porque têm uma "febre de 37ºC". Ou um bocado de tosse. Ou porque estão com dores de cabeça. Ou porque vos doem as costas. Ou porque têm uma herniazita. Ou estão um bocado ranhosos.
Não é por ser má pessoa, insensível ou por me estar nas tintas para vocês. Simplesmente vejo as coisas de outra perspectiva e depois de 4 anos a entrar e a sair de hospitais quase todos os dias não consigo ver em nenhuma destas situações um drama, à partida... por muito que goste e me preocupe com vocês.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Daqueles momentos


Estamos no sofá e pergunto-lhe se vai ser assim para sempre. Ele olha-me nos olhos e diz que sim, que vai ser assim para sempre.
E até pode não vir a ser, mas a verdade é que, naquele momento, eu sei que ambos acreditamos que sim. E sabe bem.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Está bem ensinada, a miúda!

Da conversa do meu irmão com a C.

M: Gostaste do dia de hoje?
C: Gostaste do dia de hoje?
M: Gostaste de andar a cavalo?
C: Gostaste de andar a cavalo?
M: Oh, pára de me imitar!
C: Oh, pára de me imitar!
M: Vá, responde lá ao primo...
C: Vá, responde lá ao primo...
M: Vais ficar de castigo!
C: Vais ficar de castigo!
M: Não comes pizza!
C Não comes pizza!
M: Diz assim: "A prima é feia!"
C: Diz assim: "A prima é... (olha para mim e ri-se) bonita!"

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Assim já cheira a férias - Sintra
















18.Fevereiro.2012 - Sintra, Castelo dos Mouros

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Féééééééériassssssssssss:D

Estou de férias, com tudo feito e bem feito em primeira fase.
Melhorias? Nahhhh, duas semanas e meia de férias parecem-me bem melhor:)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados

Estava eu a mal-dizer a psiquiatria e a refilar internamente com a oral de amanhã quando tocaram à campainha.
Flores. Para a menina Jo. Um ramo gigantesco e lindíssimo. Com cartão:)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Almost there...

Portanto, até agora o semestre está a correr exactamente como eu queria.
Já só falta uma cadeira, oral de psiquiatria depois de amanhã e, se tudo correr bem estarei de férias nas próximas duas semanas (façam figas vá lá...)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Diferenças

Pré-Facebook: Ouvia o telejornal, lia os jornais grátis do comboio e do metro e estava relativamente informada.
Com Facebook e em época de exames: É só ver quais os vídeos mais publicados para ficar logo a saber as mortes importantes e as saídas mais infelizes dos nossos políticos e ter assunto de conversa social.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Dos exames

Oftalmologia já está despachada e com uma nota da qual me posso orgulhar e até babar um bocadinho (ao fim de 4 anos eu sabia que estas notas haviam de chegar).
Venha a cirurgia!!!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Relatórios das aulas

Jo a fazer o relatório de uma aula exactamente igual a uma que já tinha tido antes, dada por um professor X para ser avaliado por um professor Y:
"A primeira parte da aula foi uma exposição teórica sobre (coisas) muito semelhante a uma aula também sobre (coisas) que já nos tinha sido leccionada no 1º ano. Acabou por isso por ser um pouco repetitiva face à matéria que já tínhamos dado anteriormente."


Jo a fazer o relatório de uma aula exactamente igual a uma que já tinha tido antes, dada por um professor X para ser avaliado pelo mesmo professor X:
"Uma parte significativa destes conceitos já tinha sido abordada na aula prática da semana anterior, também com o professor X, pelo que para mim esta aula foi acima de tudo uma óptima maneira de sistematizar os conhecimentos".

Da época de exames

Percebo que ando a dormir poucas horas por noite quando o despertador toca e a primeira coisa que me vem à cabeça é a música do Vitinho...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dá que pensar...

"O “amor à camisola” (partilhado do mural de Tiago Tribolet de Abreu


O Serviço Nacional de Saúde funciona 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana. Como é isso é feito? Os enfermeiros e os auxiliares trabalham por turnos. Os médicos não. Os médicos têm um horário “normal”, X horas por semana (35, 40 ou 42 horas, conforme o regime de trabalho), em que fazem tarefas “normais”: cuidam dos doentes internados nas enfermarias, fazem consultas, exames complementares, cirurgias... Dentro dessas horas “normais”, estão incluídas 12 horas de “urgência”. São horas em que prestam serviço nos Serviços de Urgência, Unidades de Cuidados Intensivos, Urgências Internasde apoio aos serviços, etc... Porém, as 12 horas semanais de “urgência” de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviços de saúde que não podem parar. Por esse motivo, há mais de 30 anos que, por lei, os médicos podem ser obrigados, mesmo que não queiram, a fazerem até 12 horas extraordináriasde trabalho por semana. O problema é que, mesmo essas 12 horas extraordinárias de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviçosde saúde que não podem parar. Então, já há muito tempo, os médicos trabalham o seu horário semanal habitual, trabalham as 12 horas extraordinárias a que são obrigados por semana, e, muitas vezes, trabalham ainda mais períodos de 12 ou 24 horas extraordinárias a que não são obrigados, mas a que se dispõem mesmo assim. Porquê? Por motivos de dois tipos: 
1) motivos financeiros: as horas extraordinárias são pagas a um valor que permite aos médicos aumentarem o seu vencimento mensal. 
2) “amor à camisola”: os médicos trabalham para instituições às quais sentem pertencer. O prestígio da instituição é o seu prestígio. O desprestígio da instituição é também o seu. Quando um colega lhes diz “tenho um buraco na escala de urgência da próxima semana, não me fazes um favor e fazes mais 12 horas?”, com frequência dizem que sim, por sentirem ser um pouco o seu “dever” assegurar o funcionamento sem falhas da “sua” instituição. O problema é que este “amor à camisola” já há alguns anos que já não existe, que é passado. Porquê? Os médicos deixaram de pertencer ao “quadro” do hospital, passaram a ser contratados a Contratos Individuais de Trabalho. As vantagens não financeiras desapareceram (ADSE, apoio na doença, segurança no trabalho e nas regras de contratação, etc..). Deixou de haver impedimento às mudanças demédicos de um hospital para outro, o que passou a acontecer com frequência. Passaram a trabalhar nos hospitais, nomeadamente nas urgências, médicos “free-lance” que fazem 12 horas de urgência neste hospital, 12 horas no outro hospital, sem pertencerem propriamente a nenhum. Os médicos deixaram de “pertencer” a este ou àquele hospital, e passaram a existir no hospital muitos médicos que lá vão trabalhar só umas horas. E daqui a uns meses já são outros. Desapareceu o “amor à camisola”. Sobraram os motivos financeiros. Mesmo com estes, sempre foi difícil arranjar médicos para assegurarem todos os serviços, 24 sobre 24 horas. E agora... Com o novo Orçamento de Estado, o Ministro da Saúde acabou com este último incentivo às horas extraordinárias. E abriu uma Caixa de Pandora da qual não se apercebeu. Após anos e anos a fazerem horas intermináveis extra nas urgências, os médicos já não têm agora nenhum motivo para as fazerem. Já não são obrigados por lei a fazerem horas extra. Já não lhes é financeiramente compensador fazerem horas extra. Já não sentem os problemas da instituição como “seus”. Os serviços não funcionam sem as horas extra dos médicos. Mas estes estão fartos. Aceitaram o corte de 10% no vencimento em nome da crise (como todos os outros funcionários públicos). Aceitaram o corte de 2 ordenados em nome da crise: total 23% do vencimento (como todos os outros funcionários públicos). E até aceitam o corte no preço pago pelas horas extra. Só não aceitam é fazê-las."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Início do ano

Uns ficam contentes porque vão aos saldos e compram três mil peças de roupa por metade do preço.
Outros ficam contentes porque têm uns diazinhos de férias.
Outros ficam contentes porque reencontram os amigos e colegas depois das férias de Natal.
Eu fico contente porque fiz o meu primeiro toque rectal! Enaaaaaaa tão crescida que eu estou!!!!!!!!!!!