terça-feira, 9 de março de 2010

A brincar aos médicos II (a quem for facilmente impressionavel, não ler)

Quando eu tinha 12 anos era efectivamente uma criança. Via principalmente desenhos animados, lia livros de aventuras de crianças (nessa altura, As Crónicas de Nárnia), brincava como uma criança. Jogava futebol, brincava aos detectives, brincava com a playmobil, com legos, e às vezes até ainda brincava com nenucos (quando ninguém estava a ver).
Hoje a manhã começou com consultas de saúde infantil. 3 bebés (até aos 4) e uma menina de 12 anos. Regra geral adoro estas consultas porque no fundo acabam por consistir em brincar com a criança e ver as respostas dela. Pedimos para fazerem uma torre com cubos (e avaliamos coordenação motora e capacidade de memória), pedimos para contarem (para vermos se já aprenderam), para dizerem cores (para vermos se sabem e despistarmos daltonismo por exemplo), falamos dos infantários (e vemos o vocabulário), pedimos para correrem ou saltarem ao pé coxinho (e vemos a marcha e o equilíbrio). Farto-me de rir com os miúdos, até com os bebés pequeninos. Por isso as 3 primeiras consultas foram de sonho.
Depois veio a menina de 12 anos. Vinha com a mãe. Quando entrou pela porta do consultório não pude deixar de pensar que não tinha nada a ver comigo quando tinha 12 anos. Era uma mulher. Vestida como uma rapariga crescida, com ar de rapariga crescida.
Começaram as perguntas do costume:
- Então "menina de 12 anos" o que é que se passa contigo?
- Hum... não sei explicar... é... eu... mãe, explica tu...
- Bem, então ela desde sábado que tem um corrimento estranho e aquilo está assim estranho...
- Já é menstruada?
- Não.
Fomos ver o que se passava. Juro que nunca tinha visto nada assim.
A médica anotou: edema dos grandes lábios.
- Já alguma vez tiveste relações sexuais?
- Não nunca.
Resposta da mãe:
- Também se tivesse tido não ia dizer comigo aqui (verdade verdadinha). Nunca me conta nada. Eu não confio nela doutora.
- Mas não tive mãe!
O resto da consulta basicamente consistiu em discussão entre mãe e filha sobre o que a "menina de 12 anos" tinha ou não tinha feito. Até que a médica que me acompanha disse que se a "menina de 12 anos" dizia que não tinha nós tinhamos era de acreditar nela e pronto. E encaminhou-a para uma consulta de urgência de especialidade.
Mãe e filha sairam e a porta do gabinete fechou-se.
- Isto não é nada normal - disse-me a Dra.
Concordei. Nunca tinha mesmo visto nada assim. Perguntei-lhe o que é que ela achava que podia ser e a resposta não tardou.
- Ou foi por causa de relações sexuais ou foi uma masturbação muito intensa.

Tive direito a 2 horas de almoço que a manhã foi pesada. Agora estou em casa a pensar qual das duas hipóteses será mais provavel numa criança de 12 anos que ainda nem sequer é menstruada. Confesso que ainda estou meia em choque. Por esta não estava mesmo nada a espera.