terça-feira, 20 de maio de 2014

Do último estágio (ou de como a minha cabeça funciona de maneira mais estranha ainda quando durmo)

Hoje sonhei que estava uma esteticista a fazer-me a depilação... no meio de um consultório médico... porque os doentes tinham de continuar a ser vistos e eu não podia sair. E enquanto a minha chefe de equipa fazia a consulta ia-me fazendo perguntas às quais eu respondia enquanto me arrancavam a cera do buço. E ia dizendo: "Olha, isto por acaso até calha mesmo bem porque quando estiveres a estudar para o Harrison vais lembrar-te deste caso e vais ser muito mais fácil de decorares as coisas".
É basicamente este o ponto de situação deste último estágio.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um dia vou ter saudades

Um dia vou ter saudades de que os doentes me tratem por "menina". Isto porque quero acreditar que mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Do penúltimo estágio

Chamámos a senhora para entrar para a consulta. Entrou ao telemóvel e ficou à nossa frente de pé.
Dª E. (ao telemóvel): Sim, tem de ligar para lá a dizer que não posso dia 21, tem de marcar para a semana seguinte.
O médico fez-lhe sinal que se sentasse e ela fez-lhe sinal para que esperasse um bocado.
Dª E (ainda ao telemóvel): Não, mas isso da outra vez não deu. Não volto a fazer isso assim! Quero fazer o exame com anestesia!
Médico: Dª E, estou à sua espera para começar a consulta.
A Dª E voltou a fazer sinal para que ele esperasse.
Médico: Dª E, se não desligar o telefone vou chamar outra pessoa, estamos a atrasar as consultas...
Dª E (francamente zangada... afinal o raio do médico estava a interrompê-la): Oh Dr, estou a resolver as coisas com o outro médico!!! Já estou à sua espera há 2 horas, bem que pode esperar por mim um bocado.
E continuou a conversa.
Durante a consulta atendeu o telefone mais duas vezes. Uma à filha e outra a uma amiga.
E o médico teve toda a paciência do mundo.
Muito mais do que eu, que já estava a fervilhar por dentro com tamanha falta de respeito e de educação. Fosse eu a médica responsável e a senhora tinha voltado para a sala de espera até acabar as consultas todas. Aí talvez já tivesse feito todas as chamadas.
E sim, esperou 2 horas pelo médico, de facto. Chegou às 9. Tinha consulta marcada para as 11. Foi atendida às 11:10.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Das histórias que se ouvem lá pelos lados da psiquiatria

Ontem confesso que foi difícil. Ter à minha frente uma rapariga pouco mais velha que eu cujo filho de 6 meses morreu. E ver estampada na cara dela toda aquela dor, aquela tristeza, o sentimento de culpa e a sensação de que a vida deixou de fazer sentido. O olhar vazio e perdido. Podia ter feito tudo diferente. Uma pequena diferença naquele dia poderia fazer com que o bebé estivesse vivo. Se tivesse chegado mais cedo... Se tivesse ligado... Se o bebé tivesse ficado em casa... Mas a vida é mesmo assim. E ninguém  podia adivinhar que aquela tragédia podia acontecer. Acontece. Aconteceu.
Pela primeira vez na minha vida senti as lágrimas a virem-me aos olhos numa consulta, mas aguentei-as e pensei no egoísmo que seria eu estar a chorar e ela não. Para mim foi um dia difícil. Para ela, todos estes dias foram e serão insuportáveis.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Do quarto

Estou a fazer estágio de psiquiatria. Até agora o meu papel mais activo foi mesmo em conseguir passar a minha constipação a TODOS os psiquiatras do serviço. Eu já estou quase boa.
Acho que já sei qual é o estágio em que vou ter pior nota...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dia dos namorados

Há uns tempos uma amiga minha convidou-me para fazer um programa este fim-de-semana. Disse-lhe que não podia, que era dia dos namorados e que tinha planos. E ela respondeu-me: "não sabia que ligavas assim tanto a essas coisas dos dias dos namorados". 
Não ligo particularmente. Não acho que seja um dia tão diferente de todos os meus outros dias. Mas apesar disso até gosto do dia dos namorados. Sempre gostei, mesmo quando não tinha namorado achava que é um dia importante (embora em alguns anos tenha ficado em casa a pensar que a vida não fazia sentido).
Não é que seja um dia que em teoria devesse ser diferente de todos os outros. Teoricamente todos os dias devem ser especiais, em todos os dias devíamos mimar o namorado e dar presentes e escrever cartões românticos. Mas a verdade é que a vida do dia-a-dia não o permite. E por mais que se tente é impossível que todos os dias sejam exclusivamente dedicados àquela pessoa. É impossível que não haja dias em que se está triste, zangado, implicativo ou chateado. Dias em que se está cansado. É impossível comprarmos presentes todos os dias. Ou todos os dias termos inspiração para escrever coisas fofinhas ou até para dizer. E é por isso que o dia dos namorados é importante. É um dia em que forçosamente tens de pensar no namoro (mais que não seja porque tens a caixa de email cheia de promoções para este dia e todas as montras cheias de corações). E pensar na relação é uma coisa boa. Faz-te valorizar o que de melhor ela tem e perceber onde estão os pontos fracos. E isso dá-te (ou pelo menos a mim dá-me) vontade de dar mais, de ser melhor, de dar mais mimos, mais presentes, mais presença. Todos os dias. Mas se não for possível, pelo menos hoje é garantido.

Feliz dia dos namorados!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sabia que era uma questão de tempo...

O problema de fazeres estágios no hospital da tua área de residência é que, mais cedo ou mais tarde, vais assistir a uma consulta de um senhor que te vende o pão a queixar-se que tem dores aquando da erecção...