Chamámos a senhora para entrar para a consulta. Entrou ao telemóvel e ficou à nossa frente de pé.
Dª E. (ao telemóvel): Sim, tem de ligar para lá a dizer que não posso dia 21, tem de marcar para a semana seguinte.
O médico fez-lhe sinal que se sentasse e ela fez-lhe sinal para que esperasse um bocado.
Dª E (ainda ao telemóvel): Não, mas isso da outra vez não deu. Não volto a fazer isso assim! Quero fazer o exame com anestesia!
Médico: Dª E, estou à sua espera para começar a consulta.
A Dª E voltou a fazer sinal para que ele esperasse.
Médico: Dª E, se não desligar o telefone vou chamar outra pessoa, estamos a atrasar as consultas...
Dª E (francamente zangada... afinal o raio do médico estava a interrompê-la): Oh Dr, estou a resolver as coisas com o outro médico!!! Já estou à sua espera há 2 horas, bem que pode esperar por mim um bocado.
E continuou a conversa.
Durante a consulta atendeu o telefone mais duas vezes. Uma à filha e outra a uma amiga.
E o médico teve toda a paciência do mundo.
Muito mais do que eu, que já estava a fervilhar por dentro com tamanha falta de respeito e de educação. Fosse eu a médica responsável e a senhora tinha voltado para a sala de espera até acabar as consultas todas. Aí talvez já tivesse feito todas as chamadas.
E sim, esperou 2 horas pelo médico, de facto. Chegou às 9. Tinha consulta marcada para as 11. Foi atendida às 11:10.
quinta-feira, 27 de março de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Das histórias que se ouvem lá pelos lados da psiquiatria
Ontem confesso que foi difícil. Ter à minha frente uma rapariga pouco mais velha que eu cujo filho de 6 meses morreu. E ver estampada na cara dela toda aquela dor, aquela tristeza, o sentimento de culpa e a sensação de que a vida deixou de fazer sentido. O olhar vazio e perdido. Podia ter feito tudo diferente. Uma pequena diferença naquele dia poderia fazer com que o bebé estivesse vivo. Se tivesse chegado mais cedo... Se tivesse ligado... Se o bebé tivesse ficado em casa... Mas a vida é mesmo assim. E ninguém podia adivinhar que aquela tragédia podia acontecer. Acontece. Aconteceu.
Pela primeira vez na minha vida senti as lágrimas a virem-me aos olhos numa consulta, mas aguentei-as e pensei no egoísmo que seria eu estar a chorar e ela não. Para mim foi um dia difícil. Para ela, todos estes dias foram e serão insuportáveis.
Pela primeira vez na minha vida senti as lágrimas a virem-me aos olhos numa consulta, mas aguentei-as e pensei no egoísmo que seria eu estar a chorar e ela não. Para mim foi um dia difícil. Para ela, todos estes dias foram e serão insuportáveis.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Do quarto
Estou a fazer estágio de psiquiatria. Até agora o meu papel mais activo foi mesmo em conseguir passar a minha constipação a TODOS os psiquiatras do serviço. Eu já estou quase boa.
Acho que já sei qual é o estágio em que vou ter pior nota...
Acho que já sei qual é o estágio em que vou ter pior nota...
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Dia dos namorados
Há uns tempos uma amiga minha convidou-me para fazer um programa este fim-de-semana. Disse-lhe que não podia, que era dia dos namorados e que tinha planos. E ela respondeu-me: "não sabia que ligavas assim tanto a essas coisas dos dias dos namorados".
Não ligo particularmente. Não acho que seja um dia tão diferente de todos os meus outros dias. Mas apesar disso até gosto do dia dos namorados. Sempre gostei, mesmo quando não tinha namorado achava que é um dia importante (embora em alguns anos tenha ficado em casa a pensar que a vida não fazia sentido).
Não é que seja um dia que em teoria devesse ser diferente de todos os outros. Teoricamente todos os dias devem ser especiais, em todos os dias devíamos mimar o namorado e dar presentes e escrever cartões românticos. Mas a verdade é que a vida do dia-a-dia não o permite. E por mais que se tente é impossível que todos os dias sejam exclusivamente dedicados àquela pessoa. É impossível que não haja dias em que se está triste, zangado, implicativo ou chateado. Dias em que se está cansado. É impossível comprarmos presentes todos os dias. Ou todos os dias termos inspiração para escrever coisas fofinhas ou até para dizer. E é por isso que o dia dos namorados é importante. É um dia em que forçosamente tens de pensar no namoro (mais que não seja porque tens a caixa de email cheia de promoções para este dia e todas as montras cheias de corações). E pensar na relação é uma coisa boa. Faz-te valorizar o que de melhor ela tem e perceber onde estão os pontos fracos. E isso dá-te (ou pelo menos a mim dá-me) vontade de dar mais, de ser melhor, de dar mais mimos, mais presentes, mais presença. Todos os dias. Mas se não for possível, pelo menos hoje é garantido.
Feliz dia dos namorados!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Sabia que era uma questão de tempo...
O problema de fazeres estágios no hospital da tua área de residência é que, mais cedo ou mais tarde, vais assistir a uma consulta de um senhor que te vende o pão a queixar-se que tem dores aquando da erecção...
sábado, 18 de janeiro de 2014
Atlântida Cine
Hoje tive banco até às 20:00. Como tinha medo de ficar presa no hospital até mais tarde e o filme que queria ver no sitio do costume era às 20:30 achei que era arriscado comprar os bilhetes durante a tarde, como costumamos fazer.
Entretanto lembrei-me de ter lido há uns tempos, a propósito do encerramento do cinema Londres e respectiva conversão em loja chinesa, que existe um cinema antigo em Carcavelos que está quase sempre vazio e costuma passar bons filmes. Fui procurar e encontrei: o Atlântida Cine. Este cinema pertence a um centro comercial também ele muito antigo (e com um ar um bocadinho duvidoso, na minha opinião). Mas quando chegamos ao andar do cinema... É mágico. Desde a bilheteira, que é das antigas, passando por todo o ambiente, o espaço... E depois entramos na sala e as cadeiras são super confortáveis e a tela está sobre um palco, coberta por cortinas que abrem quando o filme vai começar...
Lembrou-me tanto de quando era pequena e ia com a minha avó almoçar e depois íamos ao cinema Londres ver filmes para maiores de 12 anos e eu me sentia tão crescida... Era o nosso programa e nunca vou esquecer os bons momentos que essas salas me proporcionaram. Mas confesso que já há vários anos que lá não ia e portanto contribuí passivamente para o encerramento deste cinema.
Espero poder fazer várias memórias novas no Atlântida Cine. E espero que se mantenha aberto durante muitos e bons anos, para eu poder um dia mostrar aos meus filhos como eram as salas de cinema quando eu era pequenina.
Entretanto lembrei-me de ter lido há uns tempos, a propósito do encerramento do cinema Londres e respectiva conversão em loja chinesa, que existe um cinema antigo em Carcavelos que está quase sempre vazio e costuma passar bons filmes. Fui procurar e encontrei: o Atlântida Cine. Este cinema pertence a um centro comercial também ele muito antigo (e com um ar um bocadinho duvidoso, na minha opinião). Mas quando chegamos ao andar do cinema... É mágico. Desde a bilheteira, que é das antigas, passando por todo o ambiente, o espaço... E depois entramos na sala e as cadeiras são super confortáveis e a tela está sobre um palco, coberta por cortinas que abrem quando o filme vai começar...
Lembrou-me tanto de quando era pequena e ia com a minha avó almoçar e depois íamos ao cinema Londres ver filmes para maiores de 12 anos e eu me sentia tão crescida... Era o nosso programa e nunca vou esquecer os bons momentos que essas salas me proporcionaram. Mas confesso que já há vários anos que lá não ia e portanto contribuí passivamente para o encerramento deste cinema.
Espero poder fazer várias memórias novas no Atlântida Cine. E espero que se mantenha aberto durante muitos e bons anos, para eu poder um dia mostrar aos meus filhos como eram as salas de cinema quando eu era pequenina.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
O melhor das consultas de cirurgia
As consultas de cirurgia são chatas. Como grande parte das coisas em cirurgia. Claramente temos aqui uma certa incompatibilidade. E portanto a melhor parte é mesmo as pequenas pérolas que os pacientes dizem.
Ora falam do imbigo (umbigo) que ficou perfeitinho depois da reparação da hérnia, ora falam da órina (urina) que estava infectada com um bicho qualquer. Falam dos problemas de ter osposporose (osteoporose) e daquele exame da cuspia (colonoscopia).
E assim contribuem para que eu tenha um dia muito mais feliz.
Ora falam do imbigo (umbigo) que ficou perfeitinho depois da reparação da hérnia, ora falam da órina (urina) que estava infectada com um bicho qualquer. Falam dos problemas de ter osposporose (osteoporose) e daquele exame da cuspia (colonoscopia).
E assim contribuem para que eu tenha um dia muito mais feliz.
Não pensem que é só brincadeira, que até tenho trabalhado. Já dei uns pontinhos e já ajudei sujei as luvas no bloco operatório.
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