Inevitavelmente mais de metade de nós irão acabar por fazer medicina geral e familiar (MGF) como especialidade. Desses, tenho a certeza de que bem mais de metade irão para MGF não por ser a sua primeira opção, mas sim porque são as vagas que sobram.
Este semestre estou a ter a cadeira de MGF e as minhas expectativas antes de começar eram grandes. Achei que iam tentar fazer os possíveis por nos entusiasmar com a cadeira. Que íamos aprender coisas efectivamente úteis pelo menos para metade de nós. Que, como nos disseram na primeira aula "muitos de nós têm uma ideia errada da MGF" e que iam tentar corrigi-lá.
Nestas semanas de aulas constatei que é verdade, sim. Tinha uma ideia errada. Os estágios que tinha feito até agora em medicina geral e familiar foram dezenas de vezes melhores do que a ideia que nos vendem de MGF por aqui. Eram estágios de médicos a ver doentes. Estágios de médicos que fazem toques rectais se acharem que é preciso, que lavam as mãos entre doentes porque sabem que os bichos não existem só nos hospitais, de médicos que acham que uma tensão arterial sistólica de 17 é de valorizar e que nem tudo se resolve com conversinhas sobre os problemas do agregado familiar.
Claro que é importante perceber o que preocupa o doente, ver a pessoa como um todo, e tudo isso. Mas isso já sabemos. E quem não teve o bom senso suficiente para perceber isso sozinho até agora, por mais aulas que tenha sobre a importância que isso tem também não vai chegar lá.
Se um dia for para MGF, esta não será provavelmente a minha primeira opção. Acho que conseguia fazer um bom trabalho, acho que até conseguia ser feliz em MGF, mas falta-me o hospital, as urgências, e para já acho que isso é uma das coisas de que preciso. Se um dia for para MGF não será certamente graças a estas aulas. E se um dia for uma boa médica de MGF também não é graças a estas aulas que vou ser melhor.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Palavras
Não é nada que nunca me tenha dito. Nada que eu não saiba. Nada que eu não sinta.
Mas ainda assim, sabe sempre tão bem ouvir...
Mas ainda assim, sabe sempre tão bem ouvir...
sábado, 9 de março de 2013
Percebes que estas ha demasiado tempo na faculdade
Quando nao vês nenhum problema em ligar para a telepizza a pedir para te entregarem pizzas na morgue para o teu jantar
terça-feira, 5 de março de 2013
Do oftalmologista
Quando cheguei fui para uma sala com uma optometrista. Ela perguntou-me do que é que me queixava e eu disse que de nada de especial. Vejo bem, não tenho queixas. Quando estudo muitas horas fico com os olhos vermelhos, mas já não é uma coisa de agora.
Ela mediu-me a pressão ocular e depois mandou-me espreitar por uma máquina e ver uma imagem. Fiz isso com cada olho e no final ela olhou para os resultados e disse: "hum... Vamos repetir" com um ar bastante desconfiado. Repeti e ela mandou-me esperar pela oftalmologista.
Quando entrei novamente a oftalmologista perguntou-me: "então o que se passa? Não anda a ver bem?". Respondi que, tanto quanto me parece vejo bem, já meia intrigada e a tentar ver as folhas da optometrista.
Passámos ao teste das letras. Normalmente acerto sempre todas, mas desta vez já falhei 3 das mais pequenas. Uma com o olho direito e duas com o esquerdo. De qualquer das formas a oftalmologista disse que desta vez ainda me safava dos óculos.
Passámos então aos outros testes. Parece que vejo bem, mas tenho um "defeito na convergência", o que para mim é novidade. Além disso tenho uma queratite no olho direito portanto agora tenho de pôr umas gotas no olho 4x por dia (gosto tanto ou tão pouco de pôr gotas nos olhos que ainda nem fui buscar o medicamento à farmácia...). Diz ela que é de estudar muito tempo e passar muito tempo ao computador. Pestanejo pouco e produzo poucas lágrimas. É bom sinal, não me lembro de quando foi a última vez que chorei.
Quer-me parecer que foi a ultima vez que saí do oftalmologista sem duas lentes por companhia...
Ela mediu-me a pressão ocular e depois mandou-me espreitar por uma máquina e ver uma imagem. Fiz isso com cada olho e no final ela olhou para os resultados e disse: "hum... Vamos repetir" com um ar bastante desconfiado. Repeti e ela mandou-me esperar pela oftalmologista.
Quando entrei novamente a oftalmologista perguntou-me: "então o que se passa? Não anda a ver bem?". Respondi que, tanto quanto me parece vejo bem, já meia intrigada e a tentar ver as folhas da optometrista.
Passámos ao teste das letras. Normalmente acerto sempre todas, mas desta vez já falhei 3 das mais pequenas. Uma com o olho direito e duas com o esquerdo. De qualquer das formas a oftalmologista disse que desta vez ainda me safava dos óculos.
Passámos então aos outros testes. Parece que vejo bem, mas tenho um "defeito na convergência", o que para mim é novidade. Além disso tenho uma queratite no olho direito portanto agora tenho de pôr umas gotas no olho 4x por dia (gosto tanto ou tão pouco de pôr gotas nos olhos que ainda nem fui buscar o medicamento à farmácia...). Diz ela que é de estudar muito tempo e passar muito tempo ao computador. Pestanejo pouco e produzo poucas lágrimas. É bom sinal, não me lembro de quando foi a última vez que chorei.
Quer-me parecer que foi a ultima vez que saí do oftalmologista sem duas lentes por companhia...
segunda-feira, 4 de março de 2013
Queres desenhar o corpo humano?
Neste fim-de-semana tive os meus 3 primos a dormir lá em casa.
Quiseram desenhar o corpo humano.
Achei por bem ajudá-los com boa bibliografia para o desenho à vista
Quiseram desenhar o corpo humano.
Achei por bem ajudá-los com boa bibliografia para o desenho à vista
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Sevilha
Foram 6 dias em que andei por quase todas as ruas de Sevilha.
Vi catedrais, basílicas, capelas, museus, palácios, jardins, vários monumentos... Não andei num único transporte desde que lá cheguei até me ir embora. Foi sempre tudo a pé. Fazia vários quilómetros por dia e acho que por isso fiquei a conhecer melhor a cidade.
Adorei.
As ruas, os cheiros, a comida (se não fossem as distâncias que fazia diariamente as minhas ancas e rabo haviam de carregar uma lembrança desta cidade durante longos meses).
Revi amigos que não via já há uns tempos e é sempre bom perceber que é como se ainda ontem tivéssemos falado, porque a conversa flui como sempre, sem dificuldade.
Conheci a faculdade de medicina de Sevilha (não ao pormenor, não estive lá muito tempo), falei com algum pessoal de lá e comparámos cursos e ganhei boas ideias para os semestres que se avizinham.
Foi bom. A companhia não podia ter sido melhor, diverti-me como não me divertia há muito tempo, a ponto de chorar a rir e estava a precisar desta quebra entre semestres.
A seu tempo virão as fotografias.
Agora é preparar para o próximo, que já está à porta.
Vi catedrais, basílicas, capelas, museus, palácios, jardins, vários monumentos... Não andei num único transporte desde que lá cheguei até me ir embora. Foi sempre tudo a pé. Fazia vários quilómetros por dia e acho que por isso fiquei a conhecer melhor a cidade.
Adorei.
As ruas, os cheiros, a comida (se não fossem as distâncias que fazia diariamente as minhas ancas e rabo haviam de carregar uma lembrança desta cidade durante longos meses).
Revi amigos que não via já há uns tempos e é sempre bom perceber que é como se ainda ontem tivéssemos falado, porque a conversa flui como sempre, sem dificuldade.
Conheci a faculdade de medicina de Sevilha (não ao pormenor, não estive lá muito tempo), falei com algum pessoal de lá e comparámos cursos e ganhei boas ideias para os semestres que se avizinham.
Foi bom. A companhia não podia ter sido melhor, diverti-me como não me divertia há muito tempo, a ponto de chorar a rir e estava a precisar desta quebra entre semestres.
A seu tempo virão as fotografias.
Agora é preparar para o próximo, que já está à porta.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Desde há uns 10 anos para cá que passo férias de verão sempre no mesmo sítio. É uma zona de praia, familiar, onde toda a gente se conhece.
Sempre houve varias famílias com miúdos da minha idade. Eu nunca fiz um único amigo lá.
O meu irmão é o contrário. Chega à praia e demora uns 10 minutos a chegar à beira-mar entre apertos de mão e beijos aos amigos e amigas e aos tios todos.
Eu não tenho paciência. Começo a ver irmãos a tratarem-se por você e fico logo doente.
Sempre fui aquela personagem meia estranha naquela praia em que toda a gente se conhece. Chegava à praia, ia direitinha até à beira mar sem parar uma única vez, sentava-me na minha toalha, e ali ficava a ler um livro ou a escrever durante longas horas, alternando com um ou outro mergulho. O meu irmão ficava furioso comigo porque os amigos dele comentavam, perguntavam se eu era só tímida ou se tinha algum problema ou assim. E por mim era para o lado que eu dormia melhor. Não sou tímida nem tenho nenhum problema (diagnosticado pelo menos). Simplesmente gosto do meu espaço e do meu tempo e não estava para ali virada.
Nunca tive facilidade em fazer amigos. Sou simpática, regra geral, e educada. Desde que ninguém me chateie eu não chateio ninguém e podemos viver todos em alegre convivência. Mas não tenho facilidade em fazer Amigos. Posso dizer-vos que devo ter uns 10 Amigos. Pessoas com quem efectivamente me preocupo. Que são família, só não o são de sangue. Alguns deles passo meses sem os ver. Alguns até meses sem falarmos. Sei que estão bem, sabem que eu estou bem e isso chega. E quando estamos juntos é como se não nos víssemos apenas há umas horas, porque a conversa flui e todas as emoções estão lá. Não sou exigente com as amizades. Que não me falhem quando eu preciso, é só o que peço. Tento não falhar quando precisam também.
Pode ser um problema meu. Talvez seja emocionalmente desajustada.
Sempre houve varias famílias com miúdos da minha idade. Eu nunca fiz um único amigo lá.
O meu irmão é o contrário. Chega à praia e demora uns 10 minutos a chegar à beira-mar entre apertos de mão e beijos aos amigos e amigas e aos tios todos.
Eu não tenho paciência. Começo a ver irmãos a tratarem-se por você e fico logo doente.
Sempre fui aquela personagem meia estranha naquela praia em que toda a gente se conhece. Chegava à praia, ia direitinha até à beira mar sem parar uma única vez, sentava-me na minha toalha, e ali ficava a ler um livro ou a escrever durante longas horas, alternando com um ou outro mergulho. O meu irmão ficava furioso comigo porque os amigos dele comentavam, perguntavam se eu era só tímida ou se tinha algum problema ou assim. E por mim era para o lado que eu dormia melhor. Não sou tímida nem tenho nenhum problema (diagnosticado pelo menos). Simplesmente gosto do meu espaço e do meu tempo e não estava para ali virada.
Nunca tive facilidade em fazer amigos. Sou simpática, regra geral, e educada. Desde que ninguém me chateie eu não chateio ninguém e podemos viver todos em alegre convivência. Mas não tenho facilidade em fazer Amigos. Posso dizer-vos que devo ter uns 10 Amigos. Pessoas com quem efectivamente me preocupo. Que são família, só não o são de sangue. Alguns deles passo meses sem os ver. Alguns até meses sem falarmos. Sei que estão bem, sabem que eu estou bem e isso chega. E quando estamos juntos é como se não nos víssemos apenas há umas horas, porque a conversa flui e todas as emoções estão lá. Não sou exigente com as amizades. Que não me falhem quando eu preciso, é só o que peço. Tento não falhar quando precisam também.
Pode ser um problema meu. Talvez seja emocionalmente desajustada.
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