Desde há uns 10 anos para cá que passo férias de verão sempre no mesmo sítio. É uma zona de praia, familiar, onde toda a gente se conhece.
Sempre houve varias famílias com miúdos da minha idade. Eu nunca fiz um único amigo lá.
O meu irmão é o contrário. Chega à praia e demora uns 10 minutos a chegar à beira-mar entre apertos de mão e beijos aos amigos e amigas e aos tios todos.
Eu não tenho paciência. Começo a ver irmãos a tratarem-se por você e fico logo doente.
Sempre fui aquela personagem meia estranha naquela praia em que toda a gente se conhece. Chegava à praia, ia direitinha até à beira mar sem parar uma única vez, sentava-me na minha toalha, e ali ficava a ler um livro ou a escrever durante longas horas, alternando com um ou outro mergulho. O meu irmão ficava furioso comigo porque os amigos dele comentavam, perguntavam se eu era só tímida ou se tinha algum problema ou assim. E por mim era para o lado que eu dormia melhor. Não sou tímida nem tenho nenhum problema (diagnosticado pelo menos). Simplesmente gosto do meu espaço e do meu tempo e não estava para ali virada.
Nunca tive facilidade em fazer amigos. Sou simpática, regra geral, e educada. Desde que ninguém me chateie eu não chateio ninguém e podemos viver todos em alegre convivência. Mas não tenho facilidade em fazer Amigos. Posso dizer-vos que devo ter uns 10 Amigos. Pessoas com quem efectivamente me preocupo. Que são família, só não o são de sangue. Alguns deles passo meses sem os ver. Alguns até meses sem falarmos. Sei que estão bem, sabem que eu estou bem e isso chega. E quando estamos juntos é como se não nos víssemos apenas há umas horas, porque a conversa flui e todas as emoções estão lá. Não sou exigente com as amizades. Que não me falhem quando eu preciso, é só o que peço. Tento não falhar quando precisam também.
Pode ser um problema meu. Talvez seja emocionalmente desajustada.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Farta
Estou farta desta época de exames.
Farta de exames na realidade. Este é o problema de estar num curso com 6 anos. A maioria dos meus colegas do secundário já fizeram os cursos, acabaram ou estão a acabar os mestrados, trabalham, muitos já saíram de casa dos pais, têm a sua independência...
E eu aqui. Igual ao que estava há 4 anos e tal atrás, sentada na mesa da sala com apontamentos de otorrinolaringologia à frente que vieram substituir os de anatomia, fisiologia, bioquímica, microbiologia, genética, introdução à clínica, psiquiatria, oftalmologia ou cirurgia geral que em anos passados me fizeram companhia. Na minha 9ª época de exames. A penúltima, assim se espera.
Estou farta. Farta de andar sempre com a corda no pescoço. Farta de saber que não posso falhar. Porque se por acaso falhar este é novamente ano barreira e portanto não há passagens para o 6º ano com cadeiras por fazer.
Farta de recusar convites. Farta de deixar amigos e família em segundo plano. Farta de responder "hoje não dá, estou em época de exames". Farta de faltar a jogos de futebol, jantares de aniversário, jantares só porque sim, cinemas e teatros. Farta disso tudo.
Nesta época de exames tenho garantidamente 9 exames. Depois consoante as notas que tenha posso ter de fazer oral a 4 deles. Portanto com muito azar posso ter 13 exames para fazer este semestre. Coisa pouca como podem ver. E não, não tenho cadeiras em atraso, é mesmo tudo deste semestre. Um já está. Sexta será o próximo.
Estou farta. Ainda estamos no início de Janeiro e eu já só quero que chegue o fim de Julho com a certeza de que em Setembro inicio um ano só de estágio clínico.
Farta de exames na realidade. Este é o problema de estar num curso com 6 anos. A maioria dos meus colegas do secundário já fizeram os cursos, acabaram ou estão a acabar os mestrados, trabalham, muitos já saíram de casa dos pais, têm a sua independência...
E eu aqui. Igual ao que estava há 4 anos e tal atrás, sentada na mesa da sala com apontamentos de otorrinolaringologia à frente que vieram substituir os de anatomia, fisiologia, bioquímica, microbiologia, genética, introdução à clínica, psiquiatria, oftalmologia ou cirurgia geral que em anos passados me fizeram companhia. Na minha 9ª época de exames. A penúltima, assim se espera.
Estou farta. Farta de andar sempre com a corda no pescoço. Farta de saber que não posso falhar. Porque se por acaso falhar este é novamente ano barreira e portanto não há passagens para o 6º ano com cadeiras por fazer.
Farta de recusar convites. Farta de deixar amigos e família em segundo plano. Farta de responder "hoje não dá, estou em época de exames". Farta de faltar a jogos de futebol, jantares de aniversário, jantares só porque sim, cinemas e teatros. Farta disso tudo.
Nesta época de exames tenho garantidamente 9 exames. Depois consoante as notas que tenha posso ter de fazer oral a 4 deles. Portanto com muito azar posso ter 13 exames para fazer este semestre. Coisa pouca como podem ver. E não, não tenho cadeiras em atraso, é mesmo tudo deste semestre. Um já está. Sexta será o próximo.
Estou farta. Ainda estamos no início de Janeiro e eu já só quero que chegue o fim de Julho com a certeza de que em Setembro inicio um ano só de estágio clínico.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Quem é?
Ha umas 2 semanas a minha mãe chegou ao pé do K por detrás, tapou-lhe os olhos e perguntou:
Mãe - quem é?
K - sou eu
Mãe - nao, quem é?
K - é o K!!!
Mãe - nao! Quem é que está a tapar os teus olhos?
K - ah, é a tia!
No Natal repetiu:
Mãe - quem é?
K hesitou uns segundos, pensou e respondeu - sou eu e a tia!
Mãe - quem é?
K - sou eu
Mãe - nao, quem é?
K - é o K!!!
Mãe - nao! Quem é que está a tapar os teus olhos?
K - ah, é a tia!
No Natal repetiu:
Mãe - quem é?
K hesitou uns segundos, pensou e respondeu - sou eu e a tia!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Orgulho
O meu primo mais velho, o A., nunca foi rapaz de muitos estudos. Lá fez o secundário a muito custo, ainda andou a passear por um curso de fisioterapia que nunca concluiu e ficou-se por aí.
Como o pai dele tem uma lojinha em Lisboa era lá que ele passava os dias dele, sem ambições de nada mais.
Até ao dia em que entrou uma rapariga chinesa pela loja convencida de que era por ali que se entrava para a pensão de cima e exigiu que ele lhe levasse as malas para cima. Ele mandou-a passear. E o resto é história. Semanas depois ela voltou para Paris, onde estava a estudar e o A. fez as malas e foi para Paris à aventura.
Tudo correu bem, até que a J. acabou o curso que estava a fazer em Paris e teve de regressar à China. Ela é filha única e por questões culturais nao pode abandonar os pais. Então o A. juntou dinheiro, conseguiu ir trabalhar para uma loja da Prada em Paris, e foi visitá-la à China.
Quando lá chegou tinha os pais da rapariga com páginas e páginas escritas com caracteres chineses com perguntas para lhe fazerem. Ele diz que foram horas de "entrevista" em que lhe perguntaram tudo, desde quanto ganhava (claro) até qual era o clube de futebol dele.
No final o pai disse-lhe assim a seco que a J. tinha muitos outros pretendentes e que todos eles ganhavam mais do que ele. E ele deu a resposta óbvia: que nenhum deles a conheceria tão bem e que o dinheiro não é tudo.
O A. voltou para Paris, estudou mais mandarim e agora está a preparar-se para fazer as malas outra vez e ir tentar a sorte dele na China. E se ele arranjar um bom emprego lá (porque casando com a J. ele tem de a sustentar não só a ela mas também aos pais dela) casa já no próximo ano.
E eu sinto um orgulho enorme, não so por ele estar a conseguir endireitar a vida dele e ter objectivos mas também por ver que ele acredita mesmo no amor.
Ele tem 31 anos e é a primeira vez na minha vida que o acho efectivamente crescido.
Como o pai dele tem uma lojinha em Lisboa era lá que ele passava os dias dele, sem ambições de nada mais.
Até ao dia em que entrou uma rapariga chinesa pela loja convencida de que era por ali que se entrava para a pensão de cima e exigiu que ele lhe levasse as malas para cima. Ele mandou-a passear. E o resto é história. Semanas depois ela voltou para Paris, onde estava a estudar e o A. fez as malas e foi para Paris à aventura.
Tudo correu bem, até que a J. acabou o curso que estava a fazer em Paris e teve de regressar à China. Ela é filha única e por questões culturais nao pode abandonar os pais. Então o A. juntou dinheiro, conseguiu ir trabalhar para uma loja da Prada em Paris, e foi visitá-la à China.
Quando lá chegou tinha os pais da rapariga com páginas e páginas escritas com caracteres chineses com perguntas para lhe fazerem. Ele diz que foram horas de "entrevista" em que lhe perguntaram tudo, desde quanto ganhava (claro) até qual era o clube de futebol dele.
No final o pai disse-lhe assim a seco que a J. tinha muitos outros pretendentes e que todos eles ganhavam mais do que ele. E ele deu a resposta óbvia: que nenhum deles a conheceria tão bem e que o dinheiro não é tudo.
O A. voltou para Paris, estudou mais mandarim e agora está a preparar-se para fazer as malas outra vez e ir tentar a sorte dele na China. E se ele arranjar um bom emprego lá (porque casando com a J. ele tem de a sustentar não só a ela mas também aos pais dela) casa já no próximo ano.
E eu sinto um orgulho enorme, não so por ele estar a conseguir endireitar a vida dele e ter objectivos mas também por ver que ele acredita mesmo no amor.
Ele tem 31 anos e é a primeira vez na minha vida que o acho efectivamente crescido.
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