Ha umas 2 semanas a minha mãe chegou ao pé do K por detrás, tapou-lhe os olhos e perguntou:
Mãe - quem é?
K - sou eu
Mãe - nao, quem é?
K - é o K!!!
Mãe - nao! Quem é que está a tapar os teus olhos?
K - ah, é a tia!
No Natal repetiu:
Mãe - quem é?
K hesitou uns segundos, pensou e respondeu - sou eu e a tia!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Orgulho
O meu primo mais velho, o A., nunca foi rapaz de muitos estudos. Lá fez o secundário a muito custo, ainda andou a passear por um curso de fisioterapia que nunca concluiu e ficou-se por aí.
Como o pai dele tem uma lojinha em Lisboa era lá que ele passava os dias dele, sem ambições de nada mais.
Até ao dia em que entrou uma rapariga chinesa pela loja convencida de que era por ali que se entrava para a pensão de cima e exigiu que ele lhe levasse as malas para cima. Ele mandou-a passear. E o resto é história. Semanas depois ela voltou para Paris, onde estava a estudar e o A. fez as malas e foi para Paris à aventura.
Tudo correu bem, até que a J. acabou o curso que estava a fazer em Paris e teve de regressar à China. Ela é filha única e por questões culturais nao pode abandonar os pais. Então o A. juntou dinheiro, conseguiu ir trabalhar para uma loja da Prada em Paris, e foi visitá-la à China.
Quando lá chegou tinha os pais da rapariga com páginas e páginas escritas com caracteres chineses com perguntas para lhe fazerem. Ele diz que foram horas de "entrevista" em que lhe perguntaram tudo, desde quanto ganhava (claro) até qual era o clube de futebol dele.
No final o pai disse-lhe assim a seco que a J. tinha muitos outros pretendentes e que todos eles ganhavam mais do que ele. E ele deu a resposta óbvia: que nenhum deles a conheceria tão bem e que o dinheiro não é tudo.
O A. voltou para Paris, estudou mais mandarim e agora está a preparar-se para fazer as malas outra vez e ir tentar a sorte dele na China. E se ele arranjar um bom emprego lá (porque casando com a J. ele tem de a sustentar não só a ela mas também aos pais dela) casa já no próximo ano.
E eu sinto um orgulho enorme, não so por ele estar a conseguir endireitar a vida dele e ter objectivos mas também por ver que ele acredita mesmo no amor.
Ele tem 31 anos e é a primeira vez na minha vida que o acho efectivamente crescido.
Como o pai dele tem uma lojinha em Lisboa era lá que ele passava os dias dele, sem ambições de nada mais.
Até ao dia em que entrou uma rapariga chinesa pela loja convencida de que era por ali que se entrava para a pensão de cima e exigiu que ele lhe levasse as malas para cima. Ele mandou-a passear. E o resto é história. Semanas depois ela voltou para Paris, onde estava a estudar e o A. fez as malas e foi para Paris à aventura.
Tudo correu bem, até que a J. acabou o curso que estava a fazer em Paris e teve de regressar à China. Ela é filha única e por questões culturais nao pode abandonar os pais. Então o A. juntou dinheiro, conseguiu ir trabalhar para uma loja da Prada em Paris, e foi visitá-la à China.
Quando lá chegou tinha os pais da rapariga com páginas e páginas escritas com caracteres chineses com perguntas para lhe fazerem. Ele diz que foram horas de "entrevista" em que lhe perguntaram tudo, desde quanto ganhava (claro) até qual era o clube de futebol dele.
No final o pai disse-lhe assim a seco que a J. tinha muitos outros pretendentes e que todos eles ganhavam mais do que ele. E ele deu a resposta óbvia: que nenhum deles a conheceria tão bem e que o dinheiro não é tudo.
O A. voltou para Paris, estudou mais mandarim e agora está a preparar-se para fazer as malas outra vez e ir tentar a sorte dele na China. E se ele arranjar um bom emprego lá (porque casando com a J. ele tem de a sustentar não só a ela mas também aos pais dela) casa já no próximo ano.
E eu sinto um orgulho enorme, não so por ele estar a conseguir endireitar a vida dele e ter objectivos mas também por ver que ele acredita mesmo no amor.
Ele tem 31 anos e é a primeira vez na minha vida que o acho efectivamente crescido.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Ironias
Esta semana consegui ver no mesmo dia na urgência de ortopedia duas senhoras com uma fractura do colo do fémur.
Ambas porque caíram.
Ambas a tomar um medicamento chamado "kainever"...
Ambas porque caíram.
Ambas a tomar um medicamento chamado "kainever"...
domingo, 2 de dezembro de 2012
Da pediatria
Não me faz confusão ver uma criança na urgência. Mesmo aquelas crianças que estão efectivamente "mal", nao posso dizer que me faça confusão.
Faz-me sim confusão ver um miúdo de 5 anos com um ar reguila internado, deitado na cama como se estivesse em casa, extremamente tranquilo, sozinho porque "a mãe foi so lá fora atender uma chamada e já volta". E que se ri e brinca e nos deixa estar com ele à vontade.
Esse miúdo que eu sei que não vai lá estar um dia mas sim vários, e que depois disso vai voltar muitas vezes.
E que ele também sabe, porque antes de eu o conhecer lá naquele quarto de hospital já lá esteve outras tantas vezes.
E ainda assim, quando entramos e falamos com ele está a sorrir, com um sorriso genuíno. Depois de todas as "picas" e "maldades" que outros, tal como nós de bata branca, lhe fizeram.
Isso sim faz-me confusão.
As crianças nao deviam ter doenças crónicas.
Faz-me sim confusão ver um miúdo de 5 anos com um ar reguila internado, deitado na cama como se estivesse em casa, extremamente tranquilo, sozinho porque "a mãe foi so lá fora atender uma chamada e já volta". E que se ri e brinca e nos deixa estar com ele à vontade.
Esse miúdo que eu sei que não vai lá estar um dia mas sim vários, e que depois disso vai voltar muitas vezes.
E que ele também sabe, porque antes de eu o conhecer lá naquele quarto de hospital já lá esteve outras tantas vezes.
E ainda assim, quando entramos e falamos com ele está a sorrir, com um sorriso genuíno. Depois de todas as "picas" e "maldades" que outros, tal como nós de bata branca, lhe fizeram.
Isso sim faz-me confusão.
As crianças nao deviam ter doenças crónicas.
sábado, 24 de novembro de 2012
Assim vale a pena
Depois de uma semana de correria, daquelas em que tenho um milhão de coisas para fazer, outro milhão de coisas para estudar, com duas aulas para preparar e dar, e em que claramente cheguei ao final com a sensação de que deixei pelo menos meio milhão de coisas por fazer, recebo este e-mail de uma das "minhas" alunas:
"Deixa-me só que te diga, és a pessoa mais fixe que existe!!!! A melhor monitora-em-vias-de-ser- professora do mundo!!! :D :D :D"
Não sei se algum dia serei professora realmente. Mas de qualquer das formas, assim vale a pena.
Pelo menos uma das coisas que tinha para fazer do meio milhão ficou aparentemente bem feita.
E agora vou voltar ao estudo, que este semestre é no mínimo demoníaco.
"Deixa-me só que te diga, és a pessoa mais fixe que existe!!!! A melhor monitora-em-vias-de-ser-
Não sei se algum dia serei professora realmente. Mas de qualquer das formas, assim vale a pena.
Pelo menos uma das coisas que tinha para fazer do meio milhão ficou aparentemente bem feita.
E agora vou voltar ao estudo, que este semestre é no mínimo demoníaco.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O lado positivo da greve
É mesmo o ter podido ficar o dia todo em casa a pôr o estudo em dia (ou a tentar) e poder fazer o meu lanche de inverno: uma chávena de leite gigante com o leite a ferver (sim, IL, eu sei... O meu esófago não vai ter um final feliz...).
domingo, 11 de novembro de 2012
UCIN
Hoje passei grande parte do meu dia numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal.
Vi um recém-nascido morrer à minha frente, vi tentarem reanimá-lo durante 20 minutos sem qualquer êxito (porque sim, por mais que queiramos a medicina não faz milagres); vi um outro, o recém-nascido mais pequeno que alguma vez vi, menos de 800 gr de pessoa, e que, sinceramente, não acredito que ainda lá esteja agora que estou a escrever este post.
Vim para medicina para salvar pessoas, de certa forma por acreditar que talvez um dia consiga de vez em quando fazer uma espécie de milagre, e fazer a diferença.
Hoje foi daqueles dias que simplesmente serviu para me mostrar que por mais que faça, por mais que estude, por mais protocolos que siga, simplesmente há coisas muito para além dos nossos "pequenos milagres". E tenho a dizer-vos que isso me corrói por dentro.
Vi um recém-nascido morrer à minha frente, vi tentarem reanimá-lo durante 20 minutos sem qualquer êxito (porque sim, por mais que queiramos a medicina não faz milagres); vi um outro, o recém-nascido mais pequeno que alguma vez vi, menos de 800 gr de pessoa, e que, sinceramente, não acredito que ainda lá esteja agora que estou a escrever este post.
Vim para medicina para salvar pessoas, de certa forma por acreditar que talvez um dia consiga de vez em quando fazer uma espécie de milagre, e fazer a diferença.
Hoje foi daqueles dias que simplesmente serviu para me mostrar que por mais que faça, por mais que estude, por mais protocolos que siga, simplesmente há coisas muito para além dos nossos "pequenos milagres". E tenho a dizer-vos que isso me corrói por dentro.
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