Não me faz confusão ver uma criança na urgência. Mesmo aquelas crianças que estão efectivamente "mal", nao posso dizer que me faça confusão.
Faz-me sim confusão ver um miúdo de 5 anos com um ar reguila internado, deitado na cama como se estivesse em casa, extremamente tranquilo, sozinho porque "a mãe foi so lá fora atender uma chamada e já volta". E que se ri e brinca e nos deixa estar com ele à vontade.
Esse miúdo que eu sei que não vai lá estar um dia mas sim vários, e que depois disso vai voltar muitas vezes.
E que ele também sabe, porque antes de eu o conhecer lá naquele quarto de hospital já lá esteve outras tantas vezes.
E ainda assim, quando entramos e falamos com ele está a sorrir, com um sorriso genuíno. Depois de todas as "picas" e "maldades" que outros, tal como nós de bata branca, lhe fizeram.
Isso sim faz-me confusão.
As crianças nao deviam ter doenças crónicas.
domingo, 2 de dezembro de 2012
sábado, 24 de novembro de 2012
Assim vale a pena
Depois de uma semana de correria, daquelas em que tenho um milhão de coisas para fazer, outro milhão de coisas para estudar, com duas aulas para preparar e dar, e em que claramente cheguei ao final com a sensação de que deixei pelo menos meio milhão de coisas por fazer, recebo este e-mail de uma das "minhas" alunas:
"Deixa-me só que te diga, és a pessoa mais fixe que existe!!!! A melhor monitora-em-vias-de-ser- professora do mundo!!! :D :D :D"
Não sei se algum dia serei professora realmente. Mas de qualquer das formas, assim vale a pena.
Pelo menos uma das coisas que tinha para fazer do meio milhão ficou aparentemente bem feita.
E agora vou voltar ao estudo, que este semestre é no mínimo demoníaco.
"Deixa-me só que te diga, és a pessoa mais fixe que existe!!!! A melhor monitora-em-vias-de-ser-
Não sei se algum dia serei professora realmente. Mas de qualquer das formas, assim vale a pena.
Pelo menos uma das coisas que tinha para fazer do meio milhão ficou aparentemente bem feita.
E agora vou voltar ao estudo, que este semestre é no mínimo demoníaco.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O lado positivo da greve
É mesmo o ter podido ficar o dia todo em casa a pôr o estudo em dia (ou a tentar) e poder fazer o meu lanche de inverno: uma chávena de leite gigante com o leite a ferver (sim, IL, eu sei... O meu esófago não vai ter um final feliz...).
domingo, 11 de novembro de 2012
UCIN
Hoje passei grande parte do meu dia numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal.
Vi um recém-nascido morrer à minha frente, vi tentarem reanimá-lo durante 20 minutos sem qualquer êxito (porque sim, por mais que queiramos a medicina não faz milagres); vi um outro, o recém-nascido mais pequeno que alguma vez vi, menos de 800 gr de pessoa, e que, sinceramente, não acredito que ainda lá esteja agora que estou a escrever este post.
Vim para medicina para salvar pessoas, de certa forma por acreditar que talvez um dia consiga de vez em quando fazer uma espécie de milagre, e fazer a diferença.
Hoje foi daqueles dias que simplesmente serviu para me mostrar que por mais que faça, por mais que estude, por mais protocolos que siga, simplesmente há coisas muito para além dos nossos "pequenos milagres". E tenho a dizer-vos que isso me corrói por dentro.
Vi um recém-nascido morrer à minha frente, vi tentarem reanimá-lo durante 20 minutos sem qualquer êxito (porque sim, por mais que queiramos a medicina não faz milagres); vi um outro, o recém-nascido mais pequeno que alguma vez vi, menos de 800 gr de pessoa, e que, sinceramente, não acredito que ainda lá esteja agora que estou a escrever este post.
Vim para medicina para salvar pessoas, de certa forma por acreditar que talvez um dia consiga de vez em quando fazer uma espécie de milagre, e fazer a diferença.
Hoje foi daqueles dias que simplesmente serviu para me mostrar que por mais que faça, por mais que estude, por mais protocolos que siga, simplesmente há coisas muito para além dos nossos "pequenos milagres". E tenho a dizer-vos que isso me corrói por dentro.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Quando eu for grande
Sempre que sei que vou ter aula prática e que vou ter de andar por um serviço lá do hospital a primeira coisa em que penso é nos meus ténis ou nas minhas botas "todo o terreno".
Não consigo pensar sequer em ir de saltos altos, como algumas colegas minhas que de repente de um dia para o outro parece que cresceram uns 10 cm.
E menos ainda ir de vestido ou de saia. Começo logo a pensar que no dia em que isso acontecer alguém me vai vomitar directamente para as pernas... (Eu sei que estando de calças não é estupidamente melhor, mas sinto-me muito mais protegida). E fica tão gira a bata por cima de um vestido...
Pode ser que estas manias me passem "quando for grande". Felizmente a história dos saltos não é problemática. Os meus 1,74m de altura dão-me uma vantagem considerável em relação à maioria das outras colegas.
Não consigo pensar sequer em ir de saltos altos, como algumas colegas minhas que de repente de um dia para o outro parece que cresceram uns 10 cm.
E menos ainda ir de vestido ou de saia. Começo logo a pensar que no dia em que isso acontecer alguém me vai vomitar directamente para as pernas... (Eu sei que estando de calças não é estupidamente melhor, mas sinto-me muito mais protegida). E fica tão gira a bata por cima de um vestido...
Pode ser que estas manias me passem "quando for grande". Felizmente a história dos saltos não é problemática. Os meus 1,74m de altura dão-me uma vantagem considerável em relação à maioria das outras colegas.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
"Bridge over troubled water"
Ninguém é perfeito.
Até podes achar que sim, que alguém é perfeito, um herói, mas a verdade é que não é. Ninguém é. Nada é.
Podes idealizar tudo o que queiras que nada te garante que corra como pensaste. Mesmo quando és naturalmente pessimista (realista?) e já não tens grande fé na humanidade em geral, corres sérios riscos de ser surpreendida pela negativa.
E sim, eu sei que às vezes parece que tudo acontece ao mesmo tempo, tudo cai, tudo se desmorona, tudo apodrece. E também conheço a sensação de ter de ser o pilar que aguenta em cima tudo o que a uma velocidade alucinante se desfaz, como areia a cair-te por entre os dedos. Porque tens de ser forte, porque, afinal, és quase médica e se lidas com a morte todos os dias (que raio de ideia que as pessoas têm...) então consegues aguentar com qualquer camião de carga emocional.
E a verdade é esta: sim, tens de ser o pilar. E sim, é horrível, mas vais ter de te aguentar. Mas também é verdade que podes gritar. E chorar.
Também é verdade que não tens de gritar e chorar sozinha. Queres ser a "bridge over troubled water" e podes ser (não é uma opção, eu sei). Mas sabe que podes contar comigo para ir reforçando os pregos e os parafusos e ir reconstruindo os bocados de ponte que a água te vai arrancando.
Até podes achar que sim, que alguém é perfeito, um herói, mas a verdade é que não é. Ninguém é. Nada é.
Podes idealizar tudo o que queiras que nada te garante que corra como pensaste. Mesmo quando és naturalmente pessimista (realista?) e já não tens grande fé na humanidade em geral, corres sérios riscos de ser surpreendida pela negativa.
E sim, eu sei que às vezes parece que tudo acontece ao mesmo tempo, tudo cai, tudo se desmorona, tudo apodrece. E também conheço a sensação de ter de ser o pilar que aguenta em cima tudo o que a uma velocidade alucinante se desfaz, como areia a cair-te por entre os dedos. Porque tens de ser forte, porque, afinal, és quase médica e se lidas com a morte todos os dias (que raio de ideia que as pessoas têm...) então consegues aguentar com qualquer camião de carga emocional.
E a verdade é esta: sim, tens de ser o pilar. E sim, é horrível, mas vais ter de te aguentar. Mas também é verdade que podes gritar. E chorar.
Também é verdade que não tens de gritar e chorar sozinha. Queres ser a "bridge over troubled water" e podes ser (não é uma opção, eu sei). Mas sabe que podes contar comigo para ir reforçando os pregos e os parafusos e ir reconstruindo os bocados de ponte que a água te vai arrancando.
domingo, 28 de outubro de 2012
Mas o que é que se passou aqui?
De repente, ao abrir o Facebook, apercebi-me de que nos últimos 2 meses 3 antigos colegas meus de escola foram pais.
Um deles foi pai pela 2ª vez e até é mais novo do que eu.
Por aqui estuda-se pediatria. É o mais próximo que tenciono estar de ter bebés nos próximos anos.
Um deles foi pai pela 2ª vez e até é mais novo do que eu.
Por aqui estuda-se pediatria. É o mais próximo que tenciono estar de ter bebés nos próximos anos.
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