domingo, 8 de janeiro de 2012

Dá que pensar...

"O “amor à camisola” (partilhado do mural de Tiago Tribolet de Abreu


O Serviço Nacional de Saúde funciona 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana. Como é isso é feito? Os enfermeiros e os auxiliares trabalham por turnos. Os médicos não. Os médicos têm um horário “normal”, X horas por semana (35, 40 ou 42 horas, conforme o regime de trabalho), em que fazem tarefas “normais”: cuidam dos doentes internados nas enfermarias, fazem consultas, exames complementares, cirurgias... Dentro dessas horas “normais”, estão incluídas 12 horas de “urgência”. São horas em que prestam serviço nos Serviços de Urgência, Unidades de Cuidados Intensivos, Urgências Internasde apoio aos serviços, etc... Porém, as 12 horas semanais de “urgência” de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviços de saúde que não podem parar. Por esse motivo, há mais de 30 anos que, por lei, os médicos podem ser obrigados, mesmo que não queiram, a fazerem até 12 horas extraordináriasde trabalho por semana. O problema é que, mesmo essas 12 horas extraordinárias de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviçosde saúde que não podem parar. Então, já há muito tempo, os médicos trabalham o seu horário semanal habitual, trabalham as 12 horas extraordinárias a que são obrigados por semana, e, muitas vezes, trabalham ainda mais períodos de 12 ou 24 horas extraordinárias a que não são obrigados, mas a que se dispõem mesmo assim. Porquê? Por motivos de dois tipos: 
1) motivos financeiros: as horas extraordinárias são pagas a um valor que permite aos médicos aumentarem o seu vencimento mensal. 
2) “amor à camisola”: os médicos trabalham para instituições às quais sentem pertencer. O prestígio da instituição é o seu prestígio. O desprestígio da instituição é também o seu. Quando um colega lhes diz “tenho um buraco na escala de urgência da próxima semana, não me fazes um favor e fazes mais 12 horas?”, com frequência dizem que sim, por sentirem ser um pouco o seu “dever” assegurar o funcionamento sem falhas da “sua” instituição. O problema é que este “amor à camisola” já há alguns anos que já não existe, que é passado. Porquê? Os médicos deixaram de pertencer ao “quadro” do hospital, passaram a ser contratados a Contratos Individuais de Trabalho. As vantagens não financeiras desapareceram (ADSE, apoio na doença, segurança no trabalho e nas regras de contratação, etc..). Deixou de haver impedimento às mudanças demédicos de um hospital para outro, o que passou a acontecer com frequência. Passaram a trabalhar nos hospitais, nomeadamente nas urgências, médicos “free-lance” que fazem 12 horas de urgência neste hospital, 12 horas no outro hospital, sem pertencerem propriamente a nenhum. Os médicos deixaram de “pertencer” a este ou àquele hospital, e passaram a existir no hospital muitos médicos que lá vão trabalhar só umas horas. E daqui a uns meses já são outros. Desapareceu o “amor à camisola”. Sobraram os motivos financeiros. Mesmo com estes, sempre foi difícil arranjar médicos para assegurarem todos os serviços, 24 sobre 24 horas. E agora... Com o novo Orçamento de Estado, o Ministro da Saúde acabou com este último incentivo às horas extraordinárias. E abriu uma Caixa de Pandora da qual não se apercebeu. Após anos e anos a fazerem horas intermináveis extra nas urgências, os médicos já não têm agora nenhum motivo para as fazerem. Já não são obrigados por lei a fazerem horas extra. Já não lhes é financeiramente compensador fazerem horas extra. Já não sentem os problemas da instituição como “seus”. Os serviços não funcionam sem as horas extra dos médicos. Mas estes estão fartos. Aceitaram o corte de 10% no vencimento em nome da crise (como todos os outros funcionários públicos). Aceitaram o corte de 2 ordenados em nome da crise: total 23% do vencimento (como todos os outros funcionários públicos). E até aceitam o corte no preço pago pelas horas extra. Só não aceitam é fazê-las."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Início do ano

Uns ficam contentes porque vão aos saldos e compram três mil peças de roupa por metade do preço.
Outros ficam contentes porque têm uns diazinhos de férias.
Outros ficam contentes porque reencontram os amigos e colegas depois das férias de Natal.
Eu fico contente porque fiz o meu primeiro toque rectal! Enaaaaaaa tão crescida que eu estou!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lanterninha

Jo às 2 da manhã: Ar importante, bata vestida, a falar com doentes, a discutir coisas com os médicos, a dar opiniões (ou certezas, que quando não tenho a certeza fico bem caladinha para não parecer estúpida. É o segredo).
Jo às 2:30 da manhã: À procura do carro num beco sem iluminação algures ao pé do hospital, ainda de bata vestida, com um frio de rachar, a usar a lanterninha de ver gargantas dos doentes para tentar ver alguma coisa.
Jo às 2:40 da manhã: A pensar que há duas pessoas mesmo ao pé do carro dela e que vai na volta estão ali para a roubar, violar, raptar e eventualmente assassinar depois. A ordem não teria de ser necessariamente esta. A pensar também se quem quer que fossem seriam capazes de fazer alguma coisa a uma pessoa com bata vestida.
Jo às 2:43 da manhã: Apercebe-se de que a passear-se por um beco sem iluminação a essas horas a iluminar o caminho com uma lanterna de ver gargantas está mesmo a pedi-las.
Jo às 2:44 da manhã: Entra no carro, tranca as portas e vem para casa. E não, não aconteceu nada. (Confessem lá que já estavam à espera de um autêntico fim de policial...)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal!!!

Ontem o meu irmão disse-me:
"Qualquer dia já não há Pai Natal cá em casa... Os miúdos estão a crescer e daqui a nada já ninguém acredita..."
Ao fim da noite, já depois de o Pai Natal ter vindo, a minha tia perguntou ao K (que não quis tirar o casaco nem a gravata a noite inteira) se queria ir vestir o pijaminha como a mana para poder ir logo a dormir e a resposta, muito ofendido do alto dos seus 7 anos acabados de fazer foi:
"Não!!!! Os meninos crescidos não podem vestir pijama!!!"
Portanto, o Pai Natal cá em casa está condenado... Mais ano menos ano e trocamos os presentes em mão...
Quero Pai Natal para sempre!!!
A todos vocês que não têm estes dramas existenciais, um Feliz Natal:)

domingo, 18 de dezembro de 2011

E se o Natal está a chegar...

... Não pode vir sozinho!
Para a maioria das pessoas as férias de Natal são sinónimo de tempo para descansar e não fazer nada. Tempo para estar com a família e os amigos a comer broas e bolo rei e sonhos e fatias douradas e fazer serões à lareira. Tempo para fazer compras, tempo para passear e ir passar uns dias fora.
Para mim as férias de Natal são o mais próximo que tenho daquilo a que alguns chamam de férias de ponto. Sim, porque nós somos tão bons mas tão bons na nossa faculdade (NOT!) que não precisamos cá dessas mariquices das férias de ponto. Connosco é aulas até 6ª e exames na 2ª seguinte que o fim-de-semana chega muito bem. Sempre foi assim, já é o 4º ano disto e portanto já não me queixo (isso é para os caloiros, que são fraquinhos...).
Ontem inaugurei a época de estudo a sério. Quase 10 horinhas de estudo para começar. Já quase que tinha saudades daquela sensação de cabeça a explodir com conhecimento adquirido. Hoje já está boa, o que deve querer dizer que boa parte do conhecimento adquirido ontem já se evaporou. E assim se vão passar os próximos dias, a tentar encher a minha cabeça que mais parece uma banheira com o ralo aberto (é o início da época de estudo, ainda não se pode pedir muito).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dear Future Me

Já há 2 anos que tenho por hábito escrever uma carta a mim mesma pelo FutureMe. Ontem recebi a que tinha escrito no ano passado e não podia ter ficado mais contente. Ora vejamos:
"(...) Quanto a ti, dear future me, espero que esta carta te encontre com muitos e bons amigos à volta, que não tenhas perdido a IL nem a LL nem as tuas Dramas (e ainda aqui andam). Espero que a família se encontre bem e de saúde e que o K esteja muito melhor (o K nem parece o mesmo!). Também não seria mau se estivesses com outra pessoa ao lado, alguém da tua idade mais-coisa-menos-coisa, que te amasse e respeitasse e que tivesse um bom sentido de humor (e não é que até isso aconteceu???) (...) O importante é que daqui a um ano te encontre uma pessoa diferente, com o LP bem guardadinho num lugar especial do coração-passado e com o coração-presente bem mais disponível para novas histórias (done;))". 
Portanto, acho que 2011 vai terminar muuuuuuuuuito bem:)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aqui já chegou...

...O NATAL!!!!
O estudo para o teste de 4ª feira já se faz ao som de músicas de Natal.
Discutem-se presentes, a quem se vai dar presentes (pois, é a crise...), como poupar nos presentes... Já tenho uma lista dos felizes contemplados deste ano no meu ambiente de trabalho. Na realidade não é muito diferente da lista do ano passado. Apenas um pouco mais restrita e nem é pela crise.
Ontem, no shopping já se viam pessoas com caixas e caixas embrulhadas debaixo dos braços. Fui à loja da Disney ver coisas para a C. e senti-me outra vez miúda também eu a olhar para os vestidos das princesas. Se a Jo com 4 anos me visse agora ficava contente de certeza! Tudo o que a mini-Jo queria, com todas as fantasias que fazem parte da idade e que pareciam tão irreais há uns tempos atrás, a Jo de 22 anos tem. Pondo de parte o cabelo liso e automaticamente penteado. Esse presente de Natal não me parece que algum dia vá ter, por mais Natais que passem.