
Não me importo de ser a "médica" da minha família para coisinhas pequeninas. As amigdalites dos miúdos, as constipações, as dores de barriga, tudo bem, dá-se um jeito.
Importo-me sim quando a minha avó me arranja cópias de todos os exames médicos dela dos últimos anos e no fim me pergunta se eu acho que ela deve ou não fazer uma intervenção arriscada num coração que segundo o cardiologista passou de bater para abanar e que ultimamente até abanar abana mal.
Não sei, não tenho formação para isso nem capacidade de distanciamento que me permitam avaliar a situação como deve de ser. Já vi, revi e sublinhei os exames, mas não tenho experiência para saber o que é ou não melhor fazer.
O cirurgião cardio-torácico disse à minha avó que eu podia assistir a todas intervenções que fossem feitas e isso não me faz confusão. Afinal, estou apenas como espectadora, não decido nada, o que acontecer acontece quer eu lá esteja quer não esteja, por isso se a minha avó me quiser lá dentro lá estarei.
Pôr decisões assim nas minhas mãos já não é tão simpático.
E por enquanto, para mim, se o cirurgião e o cardiologista são a favor, eu não me meto à frente.