terça-feira, 6 de julho de 2010

Dos contos de fadas e afins
















A verdade é que se eu não fosse uma rapariga muito bem educada escrevia aqui com todas as letrinhas que a vida é uma m****.
Porque nada bate certo! Porque nada do que devia ser é e nada do que é devia ser!
Porque se gosta de quem não se devia gostar e não se gosta de quem até se podia gostar.
Porque quando se pensa que "ah, aqui está o amor da minha vida" descobre-se que afinal não é. Porque por qualquer motivo tudo o que devia ser é incompatível. Incompatível com o tempo, com o espaço, com a sociedade, com a sanidade mental com tudo em geral.
Ela gostava de um rapaz e descobriu que ele tem fibrose quística (para quem não sabe é uma espécie de sentença de morte por volta dos 30). E não, não é um romance do Nicholas Sparks (e para quem possa ficar preocupado, "ela" não sou eu). E é uma m****. É mesmo!
Porque esta vida estraga os contos de fadas e porque estamos cansadas de procurar o tal príncipe encantado e não encontrar ou simplesmente encontrar um monte de sapos que nem com um milhão e beijos se convertem.
Mas eu ainda acredito nos contos de fadas, nos príncipes e princesas e num toque de magia.
Porque tem de existir, porque se não existisse não fazia sentido, não teria um propósito.

Certo?

"Perfection is the goal, but excellence will be tolerated"

Foi esta a frase com que começaram as nossas aulas de introdução à clínica.
O exame foi ontem.
Vai ter um monte de perguntas anuladas porque não estavam dentro do programa, porque estavam mal formuladas, porque tinham um português que deixava muito a desejar.
Caros profs: OK would be tolerated... mais um esforço no próximo ano sim? Têm um semestre para escrever 100 perguntas, não pode ser assim tão difícil.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Tem mas é juizo"

Foi o que o prof disse quando lhe perguntei se tinha passado na oral.
15!!!

Mais uma feita;) E esta era sem dúvida nenhuma A parte mais difícil do ano.
Venha o resto que agora já estou embalada!:)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Querida sanidade mental:


Eu sei que nem sempre fomos as melhores amigas, que já de mim sou um bocadinho avariada, mas desta vez preciso de te pedir um favor.
É que estou a começar a ver toda a gente à minha volta a afundar-se, a "perder a base de sustentação" e pessoal a fazer medicação é o que não falta. Até já estão uns quantos internados na psiquiatria, e eu gostava de não ter de passar por lá tão cedo (tinha pensado só passar por lá no próximo ano e como aluna, não como paciente...). Não que eu tenha alguma coisa contra a psiquiatria, nem que tenha qualquer tipo de preconceito. Sei que quem lá está não tem de ser maluco, mas pelo sim pelo não prefiro evitar esse sítio, vá-se lá perceber... maluquices minhas...
Dizem que é do stress, que é dos prazos apertados, da pressão, da falta de tempo para estudar... A verdade é que dos 350 que entraram já houve uns quantos que por esses motivos foram saindo ou ficando para trás e eu estava com bastante vontade de acabar o curso em 2014 sem ficar maluca.
Por isso fazemos assim, prometo que não abuso (aliás, agora que olhei para o relógio prometo que até vou já já já para a caminha), que continuo a ser uma menina disciplinada, que tomo conta de mim e que de vez em quando saio uma ou duas horinhas de casa e tu continuas a fazer-me companhia, boa?

domingo, 13 de junho de 2010

Das orais, dos trabalhos, dos exames

Sim, temos uma vida de cão. Trabalhamos mais horas por dia do que a maior parte das pessoas (só não trabalhamos 25 porque o dia só tem 24). Temos avaliações todas as semanas, os fins-de-semana são sinónimos de dias de estudo, estamos constantemente com a corda no pescoço, temos mais que muita pressão em cima e por vezes sentimos que nada disto faz sentido.
Sim, já pensei mais que muitas vezes que devia era ter ficado quietinha em Biologia, que era finalista este ano e podia começar a organizar a minha vidinha, mas que em vez disso esperam-me mais 4 anos de faculdade, mais pelo menos 5 anos em casa dos pais, menos vida social, menos tempo para estar com os amigos, menos "qualidade de vida", se assim se pode chamar, nos próximos anos.
Mas ainda assim, pesando bem os prós e os contras, continuo a achar que vale a pena. Que fiz a escolha certa. Que apesar de tudo o que já perdi por ter escolhido esta vida e de tudo que vou perder continuo a achar que ganhei e vou ganhar muito mais do que tudo isso. Porque apesar do desespero que é olhar para os livros horas a fio e ter a certeza de que estão escritos em chinês, também é gratificante quando percebo alguma coisa (e já vou percebendo algumas). É gratificante quando alguém me encontra e diz "ah, estás em medicina não é? Ainda bem, é que eu tenho aqui um problema bla bla bla" e se começam a formar hipóteses de diagnóstico na minha cabeça. É gratificante quando vejo o meu trabalho recompensado com um 17 a neurofarmacologia. Porque me esforcei, porque trabalhei, porque prescindi de muitas coisas mas o meu esforço foi recompensado.
Por isso venham daí essas orais, esses OSCES, venham daí esses exames, cá estarei para os receber a todos com um sorriso na cara arrancado a ferros mas que no fim de tudo vai ser um sorriso vitorioso e espontâneo.
Porque tudo vai valer a pena e tudo vai acabar não tarda. E em Agosto vou ter férias.

E isto acaba por ser um bom texto de motivação para agora enfiar a cabeça dentro dos apontamentos de neuroanatomia.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Comunicação


Antepenúltima aula de BP

A.: Ora então na próxima aula têm teste com toda a matéria das práticas desde o princípio do semestre. Mas não se preocupem, é uma coisa fácil...
Todos quase em uníssono: Então e os testes que nos obrigou a fazer todas as semanas? Então e todas as horas que perdemos todas as semanas a prepará-los?
A.: Ah... pois... esses não vão contar para nada, vocês devem ter copiado uns pelos outros...

(protestos protestos protestos...)

Todos: Então mas quanto vão valer os testes que já fizemos? E qual o peso deste teste final na nossa nota?
A.: Ah, pois, isso ainda não sei, logo vejo.
Todos: Então e que estilo de teste é? Escolha múltipla, desenvolvimento, verdadeiro e falso?
A.: Ah, pois, ainda não pensei.
Penúltima aula - teste

Jo: Professora, já sabe então qual é o peso do teste?
A.: Hum... o teste tem uma cotação.
Jo: Sim professora, isso já sabia, mas qual é o peso do teste na nota final?
A.: Ora bem, a nota final depende deste teste, dos outros testes, dos seminários e da participação nas aulas.
Jo (assentindo com a cabeça, respirando fundo e tentando colocar a pergunta de um modo mais claro): Mas QUANTO é que vai pesar este teste? Em percentagem!
A.: Ah, isso sou eu que decido.
Jo: Mas decidiu que pesava quanto?
A.: Tenho total liberdade para decidir

(Jo desiste de tentar estabelecer comunicação. Claramente não falam a mesma língua)

Inicia-se o teste.
Não é sobre as práticas desde o princípio do ano mas sim sobre as teóricas de desde o princípio do ano.
Não é grave, tudo se faz e o que importa é passar para evitar a A. mais um semestre.
Fim do teste. A A. decide recolher os testes e fazer logo uma correcção oral.

Terceira pergunta:
Qual/quais das seguintes doenças afecta mais frequentemente os diabéticos do que a população em geral?
a) bla bla
b) Bla Bla
c) Bla Bla Bla
d) Bla
e) Todas as anteriores
Jo estava extremamente confiante de que eram todas. Tinha lido isso ainda naquela manhã. E eis que a A. diz que a resposta correcta é...: Bla Bla Bla!

(Protestos protestos protestos)
Alguém: Mas professora, Bla também afecta mais frequentemente os diabéticos do que a população em geral... e Bla Bla também...
A.: Mas também afecta mais os hipertensos!!!
Alguém: Mas os hipertensos não têm nada a ver com a pergunta...
A.: Pois, mas eu não aceito essa resposta... poderia aceitar que me escrevesse "Bla, Bla Bla, Bla Bla Bla mas a pergunta está mal formulada", agora assim não posso aceitar.

(Ninguém protesta mais, não vale a pena, ninguém fala a língua de A.)

Jo mal pode esperar pela última aula...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Já lá vai

Hoje soube-me mesmo bem passar pelo Instituto de anatomia e olhar para as caras de pânico dos caloirinhos na "sala de espera" até entrarem para as suas orais de anatomia. Não numa perspectiva sádica como é óbvio, espero que lhes corra muito bem a todos e que despachem todos aquele pesadelo. É só mesmo porque isso já lá vai e os nervos também eram muitos mas passaram e aquela oral ficou feita e bem feita.
E só pensar nisso já dá outro ânimo para estudar e para despachar as deste semestre:)