Nesta semana apanhei um pouco de tudo. Bebés, crianças, adolescentes, grávidas, adultos, idosos (muitos e muitos idosos)... Houve consultas rápidas, de no máximo 10 minutos, e houve aquelas de demoraram uma eternidade (para cima de uma hora). Houve momentos em que pensei " ai meu deus que eu me vou desatar a rir à frente da senhora, tenho de sair daqui" mas em que me aguentei, e outros momentos em que me veio uma lagrimita ao canto do olho.
Adorei esta semana principalmente porque me senti muito mais médica do que quando fiz o estágio em Julho. Senti que sabia mais, principalmente (e surpeendentemente) de farmacologia. Porque se no ano passado tudo o que eram fármacos receitados me parecia ser chinês, desta vez já os conheço quase todos! Deviam ver a minha alegria quando numa das primeiras consultas de saúde infantil a médica receitou a um bebé com expecturação nos bronquios salbutamol + brometo. Era ver-me com um sorriso de orelha a orelha só por saber exactamente o que é que cada um faz. E quando apareceu uma senhora com uma prótese valvular no coração a dizer que tinha de tomar antibiótico antes de ir fazer um tratamento no dentista e quando a médica me perguntou porquê eu disse: "Profilaxia das endocardites! Deve fazer 2 comprimidos de amoxicilina antes e 2 depois do procedimento". Estou tão orgulhosa de mim que nem imaginam! Finalmente já sinto que não matava todos os pacientes que me aparecessem à frente a tentar tratá-los, só alguns.
Vi coisas que nunca pensei ver, tal como aquela que já vos tinha dito ou como uma senhora que lá apareceu a pedir à médica que, caso fosse ela a certificar o óbito dela, lhe cortasse os pulsos!!! Perguntámos porquê e a senhora respondeu que era uma coisa em que já desde pequenina que pensava (!!!) porque tinha medo de ser enterrada viva. Há gente que pensa mesmo em tudo...
Enfim, a primeira semana já passou, correu bem, aprendi muito, ganhei montes de histórias para contar, fiz novos amigos, li novos livros, diverti-me imenso e acho que o balanço não podia ter sido mais positivo.
Quer dizer... bem vistas as coisas até poderia ter sido mais positivo se eu tivesse adiantado alguma coisa do relatório de estágio. Fica para a próxima semana.
sábado, 13 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
A brincar aos médicos II (a quem for facilmente impressionavel, não ler)
Quando eu tinha 12 anos era efectivamente uma criança. Via principalmente desenhos animados, lia livros de aventuras de crianças (nessa altura, As Crónicas de Nárnia), brincava como uma criança. Jogava futebol, brincava aos detectives, brincava com a playmobil, com legos, e às vezes até ainda brincava com nenucos (quando ninguém estava a ver).
Hoje a manhã começou com consultas de saúde infantil. 3 bebés (até aos 4) e uma menina de 12 anos. Regra geral adoro estas consultas porque no fundo acabam por consistir em brincar com a criança e ver as respostas dela. Pedimos para fazerem uma torre com cubos (e avaliamos coordenação motora e capacidade de memória), pedimos para contarem (para vermos se já aprenderam), para dizerem cores (para vermos se sabem e despistarmos daltonismo por exemplo), falamos dos infantários (e vemos o vocabulário), pedimos para correrem ou saltarem ao pé coxinho (e vemos a marcha e o equilíbrio). Farto-me de rir com os miúdos, até com os bebés pequeninos. Por isso as 3 primeiras consultas foram de sonho.
Depois veio a menina de 12 anos. Vinha com a mãe. Quando entrou pela porta do consultório não pude deixar de pensar que não tinha nada a ver comigo quando tinha 12 anos. Era uma mulher. Vestida como uma rapariga crescida, com ar de rapariga crescida.
Começaram as perguntas do costume:
- Então "menina de 12 anos" o que é que se passa contigo?
- Hum... não sei explicar... é... eu... mãe, explica tu...
- Bem, então ela desde sábado que tem um corrimento estranho e aquilo está assim estranho...
- Já é menstruada?
- Não.
Fomos ver o que se passava. Juro que nunca tinha visto nada assim.
A médica anotou: edema dos grandes lábios.
- Já alguma vez tiveste relações sexuais?
- Não nunca.
Resposta da mãe:
- Também se tivesse tido não ia dizer comigo aqui (verdade verdadinha). Nunca me conta nada. Eu não confio nela doutora.
- Mas não tive mãe!
O resto da consulta basicamente consistiu em discussão entre mãe e filha sobre o que a "menina de 12 anos" tinha ou não tinha feito. Até que a médica que me acompanha disse que se a "menina de 12 anos" dizia que não tinha nós tinhamos era de acreditar nela e pronto. E encaminhou-a para uma consulta de urgência de especialidade.
Mãe e filha sairam e a porta do gabinete fechou-se.
- Isto não é nada normal - disse-me a Dra.
Concordei. Nunca tinha mesmo visto nada assim. Perguntei-lhe o que é que ela achava que podia ser e a resposta não tardou.
- Ou foi por causa de relações sexuais ou foi uma masturbação muito intensa.
Tive direito a 2 horas de almoço que a manhã foi pesada. Agora estou em casa a pensar qual das duas hipóteses será mais provavel numa criança de 12 anos que ainda nem sequer é menstruada. Confesso que ainda estou meia em choque. Por esta não estava mesmo nada a espera.
Hoje a manhã começou com consultas de saúde infantil. 3 bebés (até aos 4) e uma menina de 12 anos. Regra geral adoro estas consultas porque no fundo acabam por consistir em brincar com a criança e ver as respostas dela. Pedimos para fazerem uma torre com cubos (e avaliamos coordenação motora e capacidade de memória), pedimos para contarem (para vermos se já aprenderam), para dizerem cores (para vermos se sabem e despistarmos daltonismo por exemplo), falamos dos infantários (e vemos o vocabulário), pedimos para correrem ou saltarem ao pé coxinho (e vemos a marcha e o equilíbrio). Farto-me de rir com os miúdos, até com os bebés pequeninos. Por isso as 3 primeiras consultas foram de sonho.
Depois veio a menina de 12 anos. Vinha com a mãe. Quando entrou pela porta do consultório não pude deixar de pensar que não tinha nada a ver comigo quando tinha 12 anos. Era uma mulher. Vestida como uma rapariga crescida, com ar de rapariga crescida.
Começaram as perguntas do costume:
- Então "menina de 12 anos" o que é que se passa contigo?
- Hum... não sei explicar... é... eu... mãe, explica tu...
- Bem, então ela desde sábado que tem um corrimento estranho e aquilo está assim estranho...
- Já é menstruada?
- Não.
Fomos ver o que se passava. Juro que nunca tinha visto nada assim.
A médica anotou: edema dos grandes lábios.
- Já alguma vez tiveste relações sexuais?
- Não nunca.
Resposta da mãe:
- Também se tivesse tido não ia dizer comigo aqui (verdade verdadinha). Nunca me conta nada. Eu não confio nela doutora.
- Mas não tive mãe!
O resto da consulta basicamente consistiu em discussão entre mãe e filha sobre o que a "menina de 12 anos" tinha ou não tinha feito. Até que a médica que me acompanha disse que se a "menina de 12 anos" dizia que não tinha nós tinhamos era de acreditar nela e pronto. E encaminhou-a para uma consulta de urgência de especialidade.
Mãe e filha sairam e a porta do gabinete fechou-se.
- Isto não é nada normal - disse-me a Dra.
Concordei. Nunca tinha mesmo visto nada assim. Perguntei-lhe o que é que ela achava que podia ser e a resposta não tardou.
- Ou foi por causa de relações sexuais ou foi uma masturbação muito intensa.
Tive direito a 2 horas de almoço que a manhã foi pesada. Agora estou em casa a pensar qual das duas hipóteses será mais provavel numa criança de 12 anos que ainda nem sequer é menstruada. Confesso que ainda estou meia em choque. Por esta não estava mesmo nada a espera.
sábado, 6 de março de 2010
Já vos disse...
...que vou ter 2 semaninhas de estágio já a começar na 2ª feira? Já? Já???
E já vos disse que estou super contente por ir estagiar outra vez no sítio que queria?? Já??
Pronto, estão informados.
E já vos disse que não tenho férias?
E já vos disse que não me importo nada porque estágio é bem melhor do que férias?:D
E já vos disse que estou super contente por ir estagiar outra vez no sítio que queria?? Já??
Pronto, estão informados.
E já vos disse que não tenho férias?
E já vos disse que não me importo nada porque estágio é bem melhor do que férias?:D
I know we're growing up
Enquanto atravessavamos o Eixo Norte-Sul a caminho de casa da IL vinhamos a cantar (ou a berrar) o "Turpentine" da Brandi Carlile. E enquanto gritavamos "I know we're growing up" olhei para as caras dos meus colegas e apercebi-me de que realmente we are growing up.
Ontem combinamos e fomos todos fazer melhoria de nota no último exame (agora mesmo que me passe uma coisinha má pela cabeça já não há melhorias para fazer). Não fomos por acharmos que iamos melhorar porque se quando fizemos o exame pela primeira vez a verdade é que já sabiamos pouco, desta vez foi ainda pior porque não voltámos a pegar nos livros. A verdade é que fomos fazer o exame porque era o único bom pretexto para quem é de fora ficar cá até ao fim-de-semana e podermos fazer a nossa noite todos juntos, agora sim com o primeiro semestre completamente acabado.
Fomos às compras, fizemos o jantar, arrumámos a casa, tudo como gente grande. E depois... Karaoke como gente grande... Bem, na realidade foi mesmo como crianças. A excitação era tal que parecia que nunca tinhamos visto um microfone à frente.
Falámos, rimos, tirámos dezenas de fotografias, contámos as nossas aventuras desde que entrámos na faculdade (desde que eramos uns caloirinhos). É giro ver que, apesar de não termos tido ainda muito contacto com os pacientes, já todos temos histórias para contar, quer do estágio no centro de saúde do ano passado, quer do estágio no hospital, quer as histórias dos transportes públicos (sim porque quando alguém mete conversa connosco nos transportes públicos e vem à conversa que somos estudantes de medicina já se tem assunto para a viagem toda, e claro, montes de histórias para depois partilhar em noites como a de ontem).
Já às 3:00 decidimos sair do Karaoke e voltar para casa. Eu, como tinha levado o carro, andei a fazer a distribuição. Mas nem me importei porque foi da maneira que tive companhia para o caminho de regresso que foi horrível. No caminho para casa do P. e do R., em Sete Rios, apanhei tanta chuva, mas tanta chuva, que eu acho que nunca tinha estado num carro com uma chuvada daquelas. Confesso que tive muito medo. Inclusivé medo de que o carro de afundasse, porque a altura de água em algum mas zonas era mesmo grande. Felizmente o meu carrinho esteve à altura, e mesmo sem conseguir ver muito mais do que um palmo à frente dele lá nos levou sãos e salvos até às respectivas casas.
Sentimo-nos crescidos mas brincámos na mesma como se fossemos crianças. Foi muito bom.
Ontem combinamos e fomos todos fazer melhoria de nota no último exame (agora mesmo que me passe uma coisinha má pela cabeça já não há melhorias para fazer). Não fomos por acharmos que iamos melhorar porque se quando fizemos o exame pela primeira vez a verdade é que já sabiamos pouco, desta vez foi ainda pior porque não voltámos a pegar nos livros. A verdade é que fomos fazer o exame porque era o único bom pretexto para quem é de fora ficar cá até ao fim-de-semana e podermos fazer a nossa noite todos juntos, agora sim com o primeiro semestre completamente acabado.
Fomos às compras, fizemos o jantar, arrumámos a casa, tudo como gente grande. E depois... Karaoke como gente grande... Bem, na realidade foi mesmo como crianças. A excitação era tal que parecia que nunca tinhamos visto um microfone à frente.
Falámos, rimos, tirámos dezenas de fotografias, contámos as nossas aventuras desde que entrámos na faculdade (desde que eramos uns caloirinhos). É giro ver que, apesar de não termos tido ainda muito contacto com os pacientes, já todos temos histórias para contar, quer do estágio no centro de saúde do ano passado, quer do estágio no hospital, quer as histórias dos transportes públicos (sim porque quando alguém mete conversa connosco nos transportes públicos e vem à conversa que somos estudantes de medicina já se tem assunto para a viagem toda, e claro, montes de histórias para depois partilhar em noites como a de ontem).
Já às 3:00 decidimos sair do Karaoke e voltar para casa. Eu, como tinha levado o carro, andei a fazer a distribuição. Mas nem me importei porque foi da maneira que tive companhia para o caminho de regresso que foi horrível. No caminho para casa do P. e do R., em Sete Rios, apanhei tanta chuva, mas tanta chuva, que eu acho que nunca tinha estado num carro com uma chuvada daquelas. Confesso que tive muito medo. Inclusivé medo de que o carro de afundasse, porque a altura de água em algum mas zonas era mesmo grande. Felizmente o meu carrinho esteve à altura, e mesmo sem conseguir ver muito mais do que um palmo à frente dele lá nos levou sãos e salvos até às respectivas casas.
Sentimo-nos crescidos mas brincámos na mesma como se fossemos crianças. Foi muito bom.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
French kiss
Porque estar de férias é isto mesmo, ver filmes, estar no sofá, ver séries, lanchar fora, dar uma cara nova ao blog, perder horas no facebook, ir ao ginásio, basicamente não fazer nada de importante. Ontem à noite foi este. Um bom filme para um noite de chuva, ligeiro, engraçadinho, um daqueles romances que rapidamente se esquecem e que nem por isso nos deixam a pensar. Perfeito para quem está de férias (ou a fazer melhorias, que vai mais ou menos dar ao mesmo).

"Luc: Why are you chasing after him after what he's done to you?
Kate: Because I love him! And I'm afraid that if he doesn't come back that I'll... it'll hurt so much that I'll just shrivel up and I'll never be able to love anyone ever again.
Luc: You say that now, but... after a time, you would forget. First, you would forget his chin, and then his nose, and after a while, you would struggle to remember the exact color of his eyes, and one day you wake up and, pfft, he's gone: his voice, his smell, his face. He will have left you. And then you can begin again."

"Luc: Why are you chasing after him after what he's done to you?
Kate: Because I love him! And I'm afraid that if he doesn't come back that I'll... it'll hurt so much that I'll just shrivel up and I'll never be able to love anyone ever again.
Luc: You say that now, but... after a time, you would forget. First, you would forget his chin, and then his nose, and after a while, you would struggle to remember the exact color of his eyes, and one day you wake up and, pfft, he's gone: his voice, his smell, his face. He will have left you. And then you can begin again."
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Whatever works
Jo a estupidificar
Pensamento de principio do ano: "Passo a tudo à primeira e entro de férias 2 semanas mais cedo".
Pensamento depois de passar a tudo à primeira: "2 semanas não é assim tanto... e umas melhoriazinhas nunca fizeram mal a ninguém... 'bora lá fazer melhorias!"
Pensamento de hoje de manhã quando o despertador tocou: "PORQUE É QUE EU DECIDI FAZER MELHORIAS??? PORQUEÊÊÊÊÊ?????????"
Pensamento depois de passar a tudo à primeira: "2 semanas não é assim tanto... e umas melhoriazinhas nunca fizeram mal a ninguém... 'bora lá fazer melhorias!"
Pensamento de hoje de manhã quando o despertador tocou: "PORQUE É QUE EU DECIDI FAZER MELHORIAS??? PORQUEÊÊÊÊÊ?????????"
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